VERSÃO IMPRESSA

Editorial. Um processo que não pode demorar

"O desfecho da ação jurídica da Chacina do Curió precisa se dar em um tempo razoável"

00:00 | 12/11/2017


Neste domingo completam-se dois anos de um dos mais bárbaros crimes acontecidos no Ceará, que ficou conhecido como “Chacina da Grande Messejana” ou “Chacina do Curió”, referências ao local onde um ataque, coordenado e praticado por policiais militares - segundo os autos do processo - resultou em um rastro de sangue, torturas e mortes. A ação deixou 11 pessoas assassinadas, sete gravemente feridas e três com marcas de tortura. A maioria dos mortos era jovens: oito deles tinham entre 16 e 19 anos de idade. A possível causa do massacre, conforme o indiciamento do Ministério Público, teria sido retaliação à comunidade, devido ao assassinato de um policial nas proximidades do bairro.


Depois de nove meses, a investigação, coordenada pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Defesa Social (CGD), levou à detenção de 44 policiais militares, que depois tiveram a prisão revogada. O processo tramita na 1ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em três ações distintas, referente aos 34 réus que foram pronunciados pela Justiça, e que serão levados a júri popular (10 dos policiais tiveram seus processos arquivados por falta de evidência).
 

A tensão que cerca o caso permanece, pois se, a princípio os 

parentes das vítimas tinham dúvida se a investigação chegaria aos culpados, agora o temor é que a conclusão do processo demore tanto a ponto de deixar impunes os responsáveis pelos crimes. A comunidade continua mobilizada e foi até criada uma entidade para acompanhar o desenrolar do caso, as “Mães do Curió”. Essas mulheres buscam preservar a memória dos filhos e vêm realizando várias atividades para lembrar os dois anos da chacina.
 

Mesmo sendo razoável supor que um processo dessa complexidade demore a ser julgado, a Justiça não pode perder de vista a gravidade desse caso. Os procedimentos jurídicos têm de ser concluídos em tempo satisfatório, de modo a levar um pouco de paz a essas famílias, que já sofreram demasiadamente.
 

Também é preciso deixar um exemplo bastante claro, mostrando que ninguém pode se dar o direito de tomar a lei nas próprias mãos, muito menos aqueles investidos pelo Estado para garantir a segurança e a legalidade para todos os cidadãos.

TAGS