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Ecos da Revolução

Cultura: Um dos eventos definidores do século XX, a Revolução Russa transformou o modo como fazemos política e arte. A partir de amanhã, 27, a UFC realiza colóquio sobre as heranças culturais do episódio

00:00 | 26/11/2017

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É impossível mensurar o espólio da Revolução Russa de 1917. A queda do czarismo, a ascensão de Lenin e a posterior consolidação do primeiro estado socialista da história são marcos que funcionam como ponto de inflexão no século XX, a partir dos quais se elabora uma mudança na forma de encarar as relações entre classes e as estratégias de acesso aos bens culturais. Desse ponto em diante, o ser revolucionário, até então modelado pelos princípios da Revolução Francesa - essencialmente burguesa, passou a se basear em um novo paradigma de pensamento e ação.
[SAIBAMAIS]

Refletir sobre os câmbios que se operaram a partir desse episódio é a proposta do Colóquio Internacional Volver a los 17 Después de Vivir un Siglo: Literatura e Revolução Hoje?, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará a partir desta segunda-feira, 27. Em quatro dias de programação gratuita, diversos pesquisadores locais, nacionais e estrangeiros discutem, amparados pelo atuais debates sobre o reinado da pós-verdade, a validade do conceito de revolução em nosso século.
 

“É um evento que se propõe, segundo perspectivas diferentes, a tentar dar uma ideia do que foi a Revolução de Outubro, do que foi a modernidade e do que pode ser a pós-modernidade. Nosso intuito é problematizar, e não dar respostas”, explica o coordenador do Colóquio, professor Yuri Brunello, do Departamento de Letras Estrangeiras da UFC. Além dos pesquisadores cearenses, participam do evento estudiosos do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Santa Catarina, e Itália.
 

Os encontros mantêm sua ênfase na literatura que de algum modo refletiu os juízos da efervescência, seja de forma precedente — o que há de revolução no Inferno de Dante? —, seja no sincronismo das datas — quando é impossível não render homenagem a Maiakovski —, ou ainda em autores contemporâneos que guardam o germe do desassossego — como os indóceis Elena Ferrante e Lobo Antunes. “Quisemos uma abordagem geograficamente ampla, uma perspectiva que não privilegia apenas o internacional”, garante Brunello, chamando atenção para Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Graciliano Ramos como herdeiros de 1917.
 

Apesar do destaque para a literatura, a programação também passeia pela música (com Violeta Parra), pelo teatro (com Bertolt Brecht), e por discussões que ampliam os rumores da Revolução para os campos da imprensa, da ciência, da igreja e da educação emancipatória. “Prezamos pela interdisciplinaridade, queremos mostrar que a Revolução de Outubro foi um evento que teve uma dimensão de totalidade”, explica Brunello. Além das mesas de debates, o Colóquio também abre espaço para leituras dramatizadas, minicursos, chamadas para publicação em revistas e lançamento de livros.
 

Serviço

 

Colóquio Volver a los 17 Después de Vivir un Siglo
Quando: entre os dias 27 e 30 deste mês
Onde: vários lugares do Campus Benfica, da UFC
Gratuito
Outras informações
www.ppgletras.ufc.br

JÁDER SANTANA

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