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Documentário. Memórias de uma visita a Fortaleza

00:00 | 05/11/2017

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Correspondência Varda é o projeto de documentário articulado por Beatriz Furtado, Janaína de Paula e Luciana Vieira para homenagear os 90 anos de Agnès Varda. O mote é a visita que ela fez a Fortaleza, em setembro de 2009, promovida pela UFC através do Instituto de Cultura e Arte, da Escola de Audiovisual da Vila das Artes e do Laboratório de Estudos e Experimentações em Audiovisual. Apoios institucionais à parte, Beatriz se lembra da visita, marcada por uma intensa programação, como "uma coisa coletiva mesmo, acho que tinham umas 50 pessoas envolvidas no processo".
 

A programação contou com o lançamento nacional de As Praias de Agnès, conferência no Dragão do Mar, visita à Escola de Audiovisual da Vila das Artes, tour fotográfico e almoço coletivo no Mercado dos Pinhões. Desde o dia 22 de outubro, o projeto está buscando registros pessoais da passagem de Varda para compor um arquivo de memórias a ser utilizado no filme. “Tivemos a Varda por uma semana conosco, foi superinteressante. Daí a ideia de retomar esse momento agora que ela fará 90 anos. A correspondência (do título) está ligada com a ideia da gente se corresponder com ela do ponto de vista estético, mas também de amizade, fazendo um movimento inspirado no que ela faz para realizar os filmes. Vamos retomar essas imagens e temos o plano de ir ao encontro dela em maio (de 2018) para vermos juntos o que aconteceu nesses anos. É mais um documentário para dizer sobre como ela afetou a nós e à nossa relação com o cinema”, resume.
 

“A ideia é que consigamos estar presentes na data comemorativa dos 90 anos de Varda para filmarmos tanto a comemoração, como também o seu cotidiano de trabalho. Como essas primeiras filmagens ocorrerão em maio de 2018, a previsão de estreia do filme é o fim de 2018, início de 2019”, adianta Luciana. Jovem realizadora, ela não chegou a conhecer pessoalmente Varda em 2009. “A obra da Varda ainda é pouco divulgada nos ambientes menos cinéfilos e, na minha experiência com cinema, seus filmes ainda não tinham chegado a mim. Meu primeiro contato foi no primeiro semestre do curso de Cinema da UFC”, afirma. “Quando a produção dela, me apaixonei, foi uma inspiração em minha graduação. Ela talvez tenha sido a primeira cineasta mulher que tive oportunidade de estudar mais a fundo, e isso fortaleceu minha escolha por estudar cinema e me ajudou a me fazer reconhecer como cineasta mulher”, destaca. “O projeto desse documentário está sendo um pouco gestado desde a passagem de Varda em 2009, que foi marcante a ponto do saudosismo por esses dias com ela contagiar inclusive quem não esteve presente, como foi meu caso”, reflete.
 

As memórias de quem conviveu com Varda pessoalmente são de afeto e simplicidade. “Momentos como o canudinho da água de côco divido com o Fred (Benevides, montador do documentário), o interesse pelos exercícios dos alunos da Vila, pelos pescadores da Beira-Mar e a conversa que engatou a despeito da barreira de idiomas”, lista Janaína. Beatriz define Varda como “uma mulher extremamente interessada no mundo”. “Uma imagem bacana é a dela na praia, conversando com pessoas que não a conheciam. É uma mulher forte, incisiva, não era uma senhorinha que a gente cuida. Foi exigente, mandava e a gente só obedecia, se tremendo inteirinha para dar tudo certo”, ri-se a professora. “Talvez o mais importante foi compreender de onde vem o cinema de Varda: desse interesse pelo mundo, pelas coisas que quer conhecer, e de como ela devolve através dos filmes encontros tão potentes e que marcam muitos de nós”, resume Janaína. (João Gabriel) 

 

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