VERSÃO IMPRESSA

Confronto das ideias. Assembleia Legislativa aprovou mensagem com normas de segurança para agências bancárias. A medida contribuirá para a redução da violência nesses estabelecimentos?

00:00 | 26/11/2017

 

SIM

 

Carlos Eduardo Bezerra
carloseduardobmarques@gmail.com
Presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

 

A lei estadual que regulamenta as normas mínimas de segurança que devem ser aplicadas por estabelecimentos bancários no Ceará é mais uma vitória dos trabalhadores e da população por mais segurança. A partir de agora, é fazer cumprir a lei em todo o Estado, a exemplo do que já conquistamos para Fortaleza, por meio da Lei nº 9.910, de 25 de junho de 2012, denominado Estatuto Municipal de Segurança Bancária, uma iniciativa do Sindicato dos Bancários do Ceará com apoio dos vereadores locais.

 

A mensagem do governador Camilo Santana, aprovada pela Assembleia Legislativa, vem coroar nossa luta como entidade que representa os bancários e que se preocupa também com a segurança da população. Fizemos tratativas junto ao governador, iniciadas ainda em 2015, que agora frutificam reforçando nossa luta por mais segurança nos bancos, para os trabalhadores e usuários.

 

Apesar da redução dos ataques a bancos nos dois anos após a implantação do Estatuto de Segurança Bancária em Fortaleza, o Sindicato dos Bancários do Ceará não arrefeceu na sua luta por mais segurança nas agências. O Interior ainda era um grande o desafio a ser vencido. Fizemos audiências públicas em quase todas as Câmaras de Vereadores, incentivando a criação de lei municipais nesse sentido.

 

A lei aprovada pela Assembleia Legislativa aponta para solucionar esse desafio, pois avança em vários pontos a partir da lei em vigor em Fortaleza. Uma das principais conquistas da categoria nessa nova lei estadual é a proibição dos bancários ficarem com a guarda das chaves dos cofres, o que tem motivado o crime organizado nos atacar na forma de sequestros e extorsões, mediante sequestros inclusive de familiares. Essa é uma vitória importante para a categoria bancária e para a população.

 

 

NÃO

 

Leonardo Sá
leonardo_sa@uol.com.br
Professor de Sociologia da Universidade Federal do Ceará; pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV)

Existem várias violências sendo exercidas no cotidiano de uma agência bancária. São os aposentados pobres sendo submetidos a situações vexatórias em filas imensas. São funcionários sendo obrigados a atuar como máquinas de vendas de serviços para bater metas impossíveis e adoecendo por isso. São vigilantes sob constante tensão de um ataque armado de criminosos, entrando em choque com pessoas comuns nas portas giratórias da vida, quando travam a circulação normal, barrando suspeitos errados.

 

São equipes tensas descendo e subindo dos carros-fortes estacionadas para entrada e saída de valores com suas armas pesadas que nos fazem mudar de calçada. São saidinhas bancárias realizadas por criminosos que se aproveitam de seus olheiros atuando dentro das agências. Sem falar da violência que envolve sofrimento pessoal de clientes que não se encaixam no perfil do cliente VIP. Há uma violência do controle do crédito pessoal, exercido pela agência, afetando a vida das famílias e indivíduos, dividindo a sociedade numa massa de “fracassados” e numa minoria que vive em bolhas bem longe das agências.

 

Enfim, a agência é um troço infernal. Lugar tenso, desumanizante. Uma agência de violências visíveis e invisíveis. Não vive apenas da violência criminal que a ameaça. Fazer a segurança de quem ou do quê? Segurança patrimonial ou segurança cidadã das pessoas? O maior investimento em segurança para os bancos contrasta com a falta de investimento público e privado nos campos da morte que se tornaram as periferias das grandes cidades.

 

As medidas de mais segurança privada vão tornar as agências bancárias menos violentas? Parece que apenas o dinheiro acumulado está sendo salvaguardado. O lado humano é esquecido. O lado valorizado nesse imbróglio tem sido o da proteção dos bens de capital e dos seus lucros crescentes. Apenas os muito ricos, que recebem visitas de gerentes em suas residências ou resolvem tudo a partir de seus smartphones, não estejam tão interessados nesse outro lado da questão.

 

 

ADRIANO NOGUEIRA

TAGS