VERSÃO IMPRESSA

Cenário eleitoral. Partidos em busca de uma terceira via

Em eleição que se anuncia a mais disputada desde 1989, candidatos a terceira via reúnem nomes de todo tipo e lado do espectro ideológico

00:00 | 12/11/2017

Pode ser Jair Bolsonaro (PSC) contra João Doria (PSDB), os dois concorrendo por partidos nanicos. Ou ainda dobradinha de ex-ministros do petismo, Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), renegando o passado governista. Pode ser até Luciano Huck, trocando a camisa polo pelo terno e gravata, ou um Henrique Meirelles desinibido, tentando superar o pouco traquejo público.


A descrição até parece uma verdadeira “sopa de letrinhas”, mas é retrato próximo dos que hoje tentam superar a polarização entre PT e PSDB em 2018. A um ano da eleição, que se anuncia uma das mais povoadas por candidatos desde 1989, candidatos a terceira via reúnem nomes de todo tipo e lado do espectro ideológico, mas todos se vendendo como “o novo”.


“Todos fazem o discurso da novidade, de negar o que está posto. E é esse o problema: Acabam todos dizendo quase a mesma coisa, é só ver os programas desses candidatos que já circulam”, avalia o cientista político Paulo Baía, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Para ele e outros especialistas, a busca por um “outsider” é apenas um dos fatores da política pós-Lava Jato. “A corrupção é a principal marca que leva o eleitor a não votar. Com pesquisas apontando até 50% de nulos ou abstenções, é nisso que os candidatos vão mirar, então essa questão da corrupção vai ser central”, diz.


Nesse contexto, cresce a cotação de candidatos pouco associados com a política tradicional, sobretudo mais ligados com o setor privado – como o apresentador de televisão Luciano Huck, João Doria e o ministro Henrique Meirelles. Não estar citado na Lava Jato ou escândalos de corrupção é outro ponto, como exploram Ciro e Jair Bolsonaro.


“A chance da terceira via vem crescendo, porque a polarização, além de não ter programa, só reproduz um modelo de velha política de alimento do ódio, da guera, do vale tudo. Isso tudo já foi explorado ao máximo e cansou”, avalia Pedro Ivo, diretor da Rede Sustentabilidade e nome próximo de Marina Silva.


Outro fator decisivo será a economia, em eleição que ocorre em meio a reformas. “A economia vai ter novo peso, determinante, assim como as questões ligadas à segurança pública, e até de saúde. São três pontos que vão realmente pesar na decisão do voto do eleitor”, diz Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP).


Por último, é destacado ainda o “fator Lula”. Com possibilidade de não disputar após condenação na Justiça, o ex-presidente provocaria intenso rearranjo no quadro eleitoral, podendo beneficiar nomes de centro-esquerda, como Ciro Gomes.


QUEM ESTÁ NO PÁREO
A pouco mais de um ano da eleição, o País tem hoje vasta e variada gama de pré-candidatos à Presidência. Confira alguns dos nomes incluídos como apostas para 2018

Lula
EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

PRÓS: Maior mobilizador de militantes; forte ligação com classes mais baixas; alianças em vários estados, até com PMDB.

CONTRAS:
Candidatura incerta por onta da Lava Jato; se é o maior mobilizador de seguidores,  também de críticos.

Geraldo lckmin

GOVERNADOR DE SÃO PAULO

PRÓS: Forte ligação com empresariado e setores conservadores; governador do maior estado do País.

CONTRAS: Incluído na “velha política”, PSDB vive crise interna e de imagem; também é citado na Lava Jato.

 

CARLOS MAZZA

TAGS