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Asselvajados. Reabilitação dos animais e retorno ao habitat

00:00 | 12/11/2017
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O foco do trabalho do Cetas-Ceará, explica o zootecnista Saulo Gouveia, 37, coordenador do local, é a soltura de espécies resgatadas dos traficantes ou entregues voluntariamente. Ao chegar no Centro de Triagem, o bicho é identificado, passa por avaliação física e de comportamento. A reabilitação é feita ali ou no Hospital da Universidade Estadual do Ceará.


Recuperados, os animais são “asselvajados”. É gíria interna dos cuidadores. “Muitos estão humanizados e são postos com outros da mesma espécie e contato mínimo com os funcionários”, esclarece Gouveia. Para reintrodução nos habitats naturais, ocorrem de três a cinco solturas por mês. Há 11 áreas autorizadas no Estado.


Grupos ou indivíduos pertencentes a biomas que não existem no Ceará são “repatriados” em outros Estados. Foi o caso de um Mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), enviado ao Rio de Janeiro. Só há 250 exemplares da ave no País.


Ano passado, 250 papagaios e araras foram levadas de Fortaleza para Tocantins. Este ano, de 50 a 80 papagaios seguirão para Goiás. “Não fazemos a soltura no Ceará, não há pesquisa que indique habitats pra eles aqui”, observa Gouveia.

 

SAIBA MAIS

 

Os secretários Artur Bruno (Sema) e Ricardo Araújo (Semace) informaram que a construção dos dois Cetas do Estado, acordados com o Ibama, estão atrasados por causa da burocracia do processo licitatório. Não foi dada previsão para início da obra.


Segundo os dois gestores, falta também a cessão legal dos terrenos onde irão funcionar, provavelmente um em Maranguape e outro no Cariri (sem município definido).


Numa postagem de 1/6/2016, o site da Semace informa que dois funcionários - Tiago Bessa e Roberto Cavalcante – fizeram uma visita técnica ao Cetas do Maranhão. E que a autarquia cearense iria construir equipamentos semelhantes na Região Metropolitana de Fortaleza e outro no Cariri.


O Cetas do Ibama conta com equipe de dois veterinários, um biólogo, um zootecnista, quatro tratadores e três funcionários do administrativo.

 

Além da necessidade de reconstrução, o Cetas-Ceará enfrenta a escassez de medicamentos. Segundo Hebert Lobo, superintendente do Ibama, as licitações são abertas e não aparecem empresas interessadas. “O Hospital da Uece nos socorre”, afirma.


Segundo Saulo Gouveia, coordenador do Cetas, o jeito é apelar para doações de empresas veterinárias ou de particulares. O endereço para doar é rua Wilson Ferreira, 351, Guajeru, Fortaleza-CE. Fone: (85) 3474.0001.


No primeiro semestre deste ano, o Cetas-Ceará recebeu oito jacarés. Mesma quantidade de todo o ano passado.


O Decreto 6.514/2008 prevê multa de R$ 5 mil para que for flagrado com animais que constem em lista de espécies ameaçadas. E de R$ 500 para os demais.

ADRIANO NOGUEIRA

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