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A semana. Todas as dores e a força do parto

00:00 | 26/11/2017

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Quando penso na história de Lara, 13 anos, e Mara Beatriz, 38 anos, filha e mãe que atravessam um processo de transição de gênero, duas frases, especialmente, me tocam. Elas compõem a reportagem “Todas as vezes mãe” (O POVO, 1º/10/2017). A primeira frase abarca a maternidade - ampliada, agora, pela filha transgênero: “Estou me vendo de uma forma bem mais forte. Hoje eu me acho, plenamente, capaz de enfrentar qualquer coisa. Porque foi inesperado. Foi um pá-pum! E disse: vamos nessa. Se é assim, me dê a mão que a gente vai juntas”. Nesta semana, Mara enfrentou um tsunami de ignorância e ódio ao expor, nas redes sociais, a rejeição da matrícula de Lara pela Escola Educar Sesc - onde estuda desde os dois anos de idade. Após a repercussão dos milhares de compartilhamentos, a instituição pediu desculpas à família. E a inabilidade em lidar com as questões de gênero, no ambiente educacional, está sendo remediada. Mara não soltou a mão da filha, durante o tsunami. Salvaram-se as duas, mas é preciso curar os danos morais e psicológicos que sofreram. Poucos sabem o quanto é libertador, mas, igualmente, doloroso o complexo processo de transexualidade. Mara ainda vive negações e luto. E esta é a outra frase da mãe que me toca profundamente: “Quando olho as coisas de pequena, digo: cadê meu filho? Tive que ‘matar’ o Levi, pra nascer a Lara”. Por isso, antes de arremessar as pedras, é preciso que pensemos nas dores.  

 
Ana Mary C. Cavalcante
Repórter especial

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