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A semana. Inteligência contra o racismo

00:00 | 26/11/2017

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O mínimo que se espera de um membro de qualquer órgão público é bom senso e respeito às minorias. Mas não. No melhor estilo “hater adolescente”, Laerte Rímoli, diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, compartilhou em suas redes sociais memes que ironizavam recente fala da atriz Taís Araújo. Durante palestra no TEDx São Paulo, ela disse: “No Brasil, a cor do meu filho faz as pessoas mudarem de calçada”. Os materiais divulgados pelo jornalista em reação à declaração de Taís são um festival de deboches que claramente flertam com o racismo. Em um deles, uma criança corre ao avistar a atriz e o filho. “Quando você percebe que é o filho da Taís Araújo na calçada”, diz o texto.Isso apenas duas semanas depois de o jornalista William Waack ter sido afastado do Jornal da Globo após comentários racistas terem vindo à tona. Em um governo sério, Laerte Rímoli teria sido imediatamente retirado do cargo. Entretanto, em tempos de Temer, absurdos são contemporizados e um pedido de desculpas joga tudo no esquecimento. Neste contexto, fica difícil não reconhecer a importância da atitude do ator Pedro Cardoso, que abandonou ao vivo o programa Sem Censura em protesto à postura de Rímoli e também em apoio à greve de servidores da EBC. Ele poderia muito bem nem ter aceitado o convite para participar do debate. Mas a repercussão não seria a mesma. Fez uso de “tática de guerrilha”, entrando no campo inimigo e deixando seu recado. Bem mais eficaz que muitas das ações promovidas pela esquerda até agora. Prova de que a melhor resposta ao preconceito é a inteligência.  

 

ítalo Coriolano
Editor-adjunto de Conjuntura

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