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Jornal

Música. Eles cantam seus ídolos

A exemplo do cantor Silva, que se apresenta hoje em Fortaleza com tributo à obra de Marisa Monte, a música brasileira tem muitos exemplos de "álbuns-homenagem" entre artistas

15/10/2017 01:00:00
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O músico capixaba Silva tinha doze anos quando esbarrou com Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000), quarto disco da carreira de Marisa Monte. Aquele álbum, que tem hits como Amor, I Love You e O que me importa, passou a habitar o imaginário daquele adolescente que se sonhava cantor. O menino cresceu e, em 2015, com três discos na bagagem, o artista foi convidado a participar do programa de TV Versões, do canal BIS, homenageando algum artista. Não teve dúvida: cantou Marisa. A carioca assistiu, gostou, entrou em contato e, assim, começou uma parceria que deságua em Silva canta Marisa, álbum cuja turnê chega hoje à Capital em show no Theatro Via Sul Fortaleza.
 

“Se um músico tiver personalidade o bastante para interpretar músicas de outro artista sem copiá-lo, acho que os riscos já não são um problema”, aponta Silva, em entrevista ao O POVO, ao ser questionado sobre os “perigos” de mexer em obra já consagrada e de uma artista viva e tão presente no cenário nacional. “Um tributo não tem que ser feito apenas para artistas que já se foram”, defende o artista. A fala do cantor encontra eco no trabalho de artistas como Lulu Santos, que acaba de lançar disco com releituras de Rita Lee. Antes disso, em 2013, o veterano do pop já tinha homenageado Roberto e Erasmo Carlos em projeto.
 

Para Silva, porém, essas releituras pedem ousadia quando o assunto é musicalidade. “Uma homenagem é mais interessante quando fazemos do nosso jeito, com a nossa visão. Copiar os arranjos seria uma espécie de ‘karaokê da Marisa’ e nisso eu não investiria meu tempo para fazer”, aponta ele, que levou para seu álbum, lançado em novembro de 2016, versões de sucessos como Infinito Particular e Beija Eu. O álbum tem ainda a inédita Noturna, em que Silva divide vocais com a homenageada. “A maior vantagem desse projeto é que me aproximei e me tornei amigo de uma das minhas artistas prediletas e tenho tido o prazer de ser bem recebido também pelos seus fãs”.
 

O músico pondera que essas possibilidades de encontro entre artistas (especialmente jovens em começo de carreira) com seus homenageados permitem expandir experimentações artísticas. “Não acredito que esse apoio seja decisivo na carreira de alguém, mas ele estimula, ilumina e dá força para nós”, conta, celebrando que tem “tem visto muitos artistas veteranos apadrinhando os novos” Brasil afora. “Tive a sorte de ser acolhido por alguns deles, como a Gal (tive até a honra de fazer uma turnê com ela), a Marisa e o Lulu (com quem gravou a música Noite)”, aponta.

Outros tributos
 

Apaixonado por diferentes gerações da música brasileira, o cantor de 29 anos cita alguns exemplos de discos nesse modelo tributo que ele escuta e se inspira. O primeiro deles é Arthur Moreira Lima interpreta Ernesto Nazareth, lançado em 1975. No álbum, Ernesto (1863 – 1934), importante compositor de choro, foi revisitado e apresentado para novos públicos (pois grande parte da obra dele permanecia inédita até o álbum gravado por Arthur). O CD teve ampla repercussão na década de 1970, sendo incluído na lista das melhores gravações do ano pela revista Stereo Review, dos Estados Unidos, e se tornou um dos maiores sucessos de venda de música instrumental no Brasil.
 

O outro tributo apontado por Silva é Que Falta Você me Faz (2005), CD que traz homenagem de Maria Bethânia ao poeta Vinícius de Morais. A obra tem 14 faixas e traz composições e poemas como Modinha, Minha Namorada e Tarde em Itapuã. O álbum foi lançado pela baiana como marco dos 40 anos de amizade entre os dois artistas, que começou no Show Opinião, no Rio de Janeiro. O trabalho foi um dos pilares para o show Tempo, Tempo, Tempo, Tempo, apresentação posteriormente registrada em DVD.
Para o capixaba, porém, o “predileto” é Gal Canta Caymmi (1976). 

 

Disco em que, ao longo de dez faixas, a cantora dá voz a músicas como Vatapá e Festa de Rua. A gravação tem participação de músicos como João Donato, Roberto Menescal e Dominguinhos. Em 2016, a obra foi relançada, celebrando os 40 anos do CD.
 

Serviço

 

Silva canta Marisa
Quando: hoje, às 19h30min
Onde: Theatro Via Sul Fortaleza
(avenida Washington Soares, 4335 – Edson Queiroz)
Quanto: R$ 80 (inteira)
Telefone: 30991290

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Outros tributos lançados recentemente

 

Fruta Gogoia – Uma Homenagem a Gal Costa


Os músicos Jussara Silveira e Renato Braz lançaram, em junho deste ano, o álbum Fruta Gogoia – Uma homenagem a Gal Costa. Com 18 faixas de destaque na carreira da artista baiana, a obra tem arranjos de Dori Caymmi e produção artística de Luiz Nogueira. O repertório traz recortes de diferentes fases da carreira da intérprete que já soma 50 anos de carreira, com canções que vão desde o álbum Domingo (1967) até Todas as Coisas e Eu, de 2004. O destaque vai para as músicas compostas por Caetano Veloso que ficaram famosas na voz de Gal, entre elas, Tigresa, Meu Bem, Meu Mal, Baby, Não identificado, e Força Estranha. Músicas emblemáticas como Vapor Barato, de Jards Macalé e Waly Salomão, e Folhetim, de Chico Buarque, também compõem o álbum, que expõe na capa a obra Bicho Gal, da artista
Regina Silveira.

Para ouvir: goo.gl/xFUeT6

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Dois lados – Um tributo ao Skank


Em coleção com 32 canções divididas em dois disco, o projeto Dois lados – Um tributo ao Skank (lançado pelo selo Scream & Yell) apresenta diferentes fases da banda mineira que completa 25 anos de trajetória em 2017. Entre os artistas convidados para realizar a homenagem, um leque diversos de sonoridade. No disco um, tem o pop romântico do duo Anavitória (em Amores Perfeitos), o rap de Rico Dalasam em Não vem brincar de amor, as batidas da banda Francisco, el hombre (em Pacato Cidadão). Já no disco 2, tem uma versão da música Ali dos cearenses da Selvagens à Procura de Lei e a versão acústica de Saideira de Dani Black, entre tantas participações. As versões foram disponibilizadas para download gratuito.

Para ouvir:soundcloud.com/coletaneadoislados
Para baixar:screamyell.com.br/site/2017/06/12/download-tributo-ao-skank/
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Pato Fu – O mundo ainda não está pronto
 

Também completando 25 anos de trajetória neste ano, a banda Pato Fu ganhou homenagem este ano com o disco duplo O mundo não está pronto. São 30 sucessos de diferentes fases da banda encabeçada por Fernanda Takai interpretados por bandas do circuito alternativo como os cearenses da banda Capotes Pretos na Terra Marfim e Subcelebs, além do cantor Berg Menezes (De Recife, mas vivendo na Capital). Tem ainda versões de bandas como Antiprisma (SP), Estranhos Românticos (RJ) e Horror Deluxe (MG) . Entre os estilos da releituras: o rock, tecnobrega, forró, rap, MPB, folk, stoner rock, psicodelia, experimentalismo. O trabalho é realizado pelos produtores Rafael Chioccarello (Hits Perdidos) e João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi).

Para ouvir: www.omundoaindanaoestapronto.com.br 

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