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Jornal

Novos movimentos. Eles querem renovar o Congresso Nacional

Parte das novas iniciativas pretende lançar um programa de políticas públicas e lançar ou apoiar candidatos nas eleições de 2018, de pessoas novas na política

26/08/2017 17:00:00

Nem de direita, nem de esquerda, muito pelo contrário. Os movimentos que surgem em meio à crise de representatividade repudiam a polarização e têm um objetivo em comum: a renovação da política e dos políticos. Se alguns atuam através da mobilização de cidadãos para fazer a diferença nas suas cidades, outros estão construindo planos de políticas públicas e pretendem lançar ou apoiar candidatos nas eleições de 2018.


O Nossas, que surgiu em 2011 no Rio de Janeiro, trabalha para facilitar a mobilização de cidadãos. Para isso, o movimento desenvolve tecnologias e ferramentas que voltadas para o ativismo e também cria redes de formação de líderes populares para atuar em realidade locais.


Um dos projetos, o Nossas Cidades, chegou a dez municípios do País e conseguiu aprovar projetos em câmaras municipais. “Acreditamos que a política só pode ser feita com participação efetiva dos cidadãos”, diz o site.


Eleições 2018

O Agora! quer levar a mobilização popular para as cadeiras do Congresso Nacional. “Nós temos um objetivo de influenciar o projeto de País, lançando candidatos ou atuando no Executivo. Nós queremos estar dentro do debate, queremos ter até 30 candidatos”, explica Patrícia Ellen, administradora, uma das coordenadoras.

 

Ele não pretende criar um partido e ainda não decidiu se esses candidatos serão de um só partido ou de vários. Um dos riscos do apoio a candidaturas é a desvirtuação do movimento. “Uma das nossas motivações é reocupar os espaços públicos, nós temos essa visão muito forte de renovação para as eleições. Temos de ter segurança que vamos nos manter fieis no nosso objetivo antes de apoiarmos um partido”, esclarece.


A iniciativa, porém, não tem objetivos apenas eleitorais. Segundo Patrícia, o Agora! tem um plano de longo prazo, até 2030, de defesa do desenvolvimento tecnológico, redução nas desigualdades, educação de qualidade, segurança pública cidadã geração de empregos e empreendedorismo. “Queremos um País mais simples, humano e sustentável”, sintetiza.


O Brasil 21 é outro movimento que quer lançar um plano de políticas públicas e apoiar candidatos de partidos “limpos” no próximo ano. O arquiteto Pedro Henrique de Cristo, presidente do Brasil 21, explica que ele surgiu como movimento mas tornou-se um instituto em novembro de 2016. Sua atuação é centrada em trabalhos em favelas e mobilização popular. “A gente é independente de partidos. Até agora, devemos apoiar candidatos da rede, Psol e Novo, que são bem diferentes, mas não receberam caixa 2”.

 

Agora!


Patrícia Ellen, coordenadora

“Nosso objetivo é ser um movimento de ponte, queremos sair desse discurso de direita e esquerda: nós temos um projeto de Brasil. Nós somos centro-avante, porque queremos ir para a frente sempre.”


Brasil 21


Pedro Henrique de Cristo, presidente

“O Brasil é nosso lugar e 21 é o nosso tempo. Nós não somos direita nem esquerda, nós somos humanistas. Queremos um Brasil mais humano, onde as pessoas tenham oportunidades.”

 

SAIBA MAIS

 

1 Fuga da polarização direita-esquerda

Os grupos repudiam sua identificação com ideologias específicas. De uma forma geral, criticam extremismos e, os que pretendem apoiar candidaturas em 2018, tendem a se aproximar de partidos diversos, até mesmo opostos, desde que mantenham postura ética;

2 Pautas

Os movimentos compartilham valores de ética e transparência nos partidos, busca de renovação da política e dos políticos, luta pela igualdade de oportunidades, empreendedorismo, inovação tecnológica e sustentabilidade. Além disso, defendem as candidaturas independentes e são contrários ao distritão e ao fundo público bilionário de campanhas, debatido no Congresso;

 

3 Internet

Utilização massiva da internet, redes sociais e aplicativos para a mobilização e defesa de ideias. Os movimentos também propõem soluções políticas com iniciativas ligadas à inovação tecnológica;

4 Perfil diverso

Os integrantes são de diferentes idades e profissões, geralmente com formação em universidades conceituadas e, muitas vezes, fora do Brasil. Muitos movimentos são formados por ex-estudantes de Harvard e outras universidades dos Estados Unidos. Eles são financiados pelos próprios membros ou por doações e parcerias com empresas ou entidades sem fins lucrativos.

 

Adriano Nogueira

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