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Compra e prosa. Lugar das memórias

26/08/2017 17:00:00
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No Centro de Fortaleza, muitas histórias se cruzam. Das ruas às vitrines e aos corredores das lojas, os lugares se tornam caminhos dos encontros e das memórias. Quando vai ao Centro, a funcionária pública Neidja Miranda de Albuquerque Goes, 61 anos, se demora além das compras. Passeia até a Leão do Sul (pastelaria de 1926), a Praça do Ferreira (do século XIX) e volta à própria infância em um dos endereços da Casablanca Tecidos, rua Floriano Peixoto, 262.
 

“Sou cliente desde que nasci! A minha mãe trabalhava nos Correios (prédio dos anos 30, em frente à loja) e eu ia com ela”, conta. “A mamãe comprava os tecidos das nossas fardas lá, do Natal, e éramos muito bem recebidos pelo senhor Sá (vendedor) com um cafezinho”, revive também pelas lembranças de uma irmã que mora no Canadá. Foi Neidja quem sugeriu ao O POVO a pauta com os funcionários antigos da loja. “A disposição deles... Achei bonito, contagiante! Fui comprar um tecido e comprei oito, pra poder demorar a conversa!”, destaca. “As pessoas têm preconceito de ir ao Centro, mas o Centro é contagiante! Eu queria que o Centro tivesse mais vida”, une. 

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Um documento da Junta Comercial registra, oficialmente, a fundação da loja: 6 de junho de 1946. E há os registros afetivos, que validam o tempo, por gerações. “A empresa foi iniciada por meus avós e meu pai muito jovem”, sublinha Emílio Ary Filho, 60 anos, sócio da Casablanca Tecidos. “Meu avô era um imigrante libanês que fugiu do início da Segunda Guerra (1939-1945), aos 17 anos”, completa.
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A loja, restaura o gerente Airton Craveiro, “era só um salão e meio. Só tecido e tinha um pouco de cama e mesa. Depois, foi fundada a parte de decoração. Tudo foi crescendo com o tempo”. No início, contam os mais antigos, eram 40 e poucos funcionários.
O comércio atravessou planos e instabilidades econômicas. Um momento ruim para as vendas, aponta Craveiro, “foi depois da era do Cruzado Novo (1989-1990), a época do Collor de Mello (1990-1992). Foi uma loucura, onde não existia dinheiro, existia a URV. Tudo era reajustado diariamente. Em um mês, você tinha uma inflação de 80%”.

A renovação dos estoques, considerando “o gosto do cliente”, mais a implantação de facilidades do pagamento (a exemplo do crediário), ressaltam os antigos vendedores, são pontos de recomeço. “As modas se transformam, e a gente vai entendendo. Os tecidos, hoje, são tudo importado: é da China, da Coreia. Antes, tudo era nacional”, exemplifica Marcelo Lopes, no setor de vendas há mais de meio século.

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