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Jornal

O recomeço. Tudo o que há para viver

29/07/2017 17:00:00

 
Ao se integrarem à comunidade religiosa, as jovens consideram que ficaram muito envolvidas com a vida proposta lá dentro. Havia regras que limitavam o mundo fora da comunidade. Festas, grupos de WhatsApp, viagens, convivências, elas enumeram, “tudo tinha que pedir autorização”.

 

“Eu me afastei dos meus amigos porque não eram amigos bons. Me afastei da minha família porque não tinha tempo”, lamenta uma das jovens que falou ao O POVO.


O pressuposto de “ficar só”, se saíssem, e a fé em se tornarem, espiritualmente, melhores iam mantendo as jovens no grupo, elas esclarecem. “Era sempre dito que eu precisava fazer essa doação (de tempo). E, no fim, sempre acabava dando certo (conciliar as atividades do grupo com faculdade, trabalho). Então, nunca cheguei a sair mesmo”, reforça a mais jovem.


Mas o abuso sexual que denunciam foi o limite. E também ponto de partida para um caminho que refazem, de volta. Um caminhar longo, através da desconfiança, do medo e das reconquistas. Dia a dia, palavra por palavra, elas se reaproximam da família e da vida das quais se distanciaram. A denúncia, elas concordam, ajudou a cada uma nessa retomada do cotidiano e do que não se pode mensurar.


“É a sensação de voltar para casa, sabe?”, uma das jovens sorri. “Estou reencontrando a vida, redescobrindo o que é viver, o que é tomar as minhas próprias decisões... E me reapaixonar pelas coisas que, antes, eu já gostava de fazer”, expõe. “E descobrir que essa doutrina louca que a gente vivia não era a doutrina cristã. Dentro da própria vivência da fé, redescobrindo essa vivência”, soma. 

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