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Escolinhas de futebol. Escolinhas de clubes de fora abocanham fatia do mercado cearense

Escolinhas de times de futebol de outros estados fazem sucesso no Ceará e abocanham grande fatia de um mercado pouco explorado por clubes locais

29/07/2017 17:00:00
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Não há agenda atribulada ou cansaço pós-expediente que impeça muitos pais e mães de levarem (ou incentivarem) os filhos para treinar futebol. O prazer de ver a criança batendo bola, que acaba alimentando o sonho de ambos sobre ser atleta, é redobrado se a camisa vestida na escolinha for a do clube do coração.

[SAIBAMAIS]

E, no Ceará, hoje, elas não se resumem aos três maiores clubes da Capital. Levantamento feito pelo O POVO constatou que pelo menos oito times brasileiros de outros estados têm representações em escolinhas de futebol em Fortaleza, na Região Metropolitana e no Cariri. Cada uma dessas marcas se divide em mais de uma sede. Juntas, elas ficam com boa fatia do mercado cearense.


Como franquias, convênios ou projetos, agremiações do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e da Bahia se fazem opção. Com escudos famosos, quase todos disputando a divisão de elite do Campeonato Brasileiro, apresentam brilho mais atrativo. Um exemplo desses negócios é o Genoma Colorado, do Internacional, presente em Fortaleza há sete anos. Monitorado pelas categorias de base do clube gaúcho, possui quatro núcleos na Capital e cerca de 250 garotos inscritos.

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O rival, Grêmio, também está presente por aqui, mas em convênio com o Futcenter. Com duas sedes, uma em Fortaleza e outra no Eusébio, tem 630 matriculados ao todo, com faixa etária de 5 a 17 anos.


“Todo ano vem um observador para cá e leva alguém. Já teve ano que foram 15 selecionados”, conta Vitor Costa, diretor do Genoma Colorado. Já o tricolor gaúcho também explora o lado social. “Temos um trabalho que capta meninos de escolas públicas e integra à escolinha (de futebol) sem mensalidade”, explica Hudson Ferreira, coordenador técnico do FutCenter/Grêmio.


Os cariocas Flamengo e Fluminense também fazem sucesso com a garotada e com os pais cearenses. Juntos, já possuem cinco sedes em Fortaleza. O Rubro-Negro conta com mais uma no Cariri. A franquia Guarreirinhos tem cerca de 130 alunos; a Escola do Fla ultrapassa 200. “Os clubes locais não preparam atletas para o profissional. Os subs jogam de forma diferente. No Fluminense, todas as escolinhas trabalham numa mesma filosofia”, valoriza José Neto Maia, observador técnico do tricolor carioca.


Vitória e Atlético-PR também estão presentes na Capital. Este último também está em Barbalha. Em Juazeiro do Norte, há representações do Cruzeiro e do Vasco.


A chegada de clubes internacionais também não deve demorar, haja vista as clínicas para crianças que Real Madrid e Paris Saint-Germain (PSG) realizaram em Fortaleza no fim do ano passado. Em fevereiro, inclusive, foi confirmada pelo secretário da Casa Civil, Nelson Martins, uma parceria entre o Centro de Formação Olímpica (CFO) e a escolinha do PSG, não concretizada até o momento. A Secretaria do Esporte afirma, no entanto, que o convênio segue em estudo. O Milan também teria interesse em se instalar por aqui. “Recebi convite do clube, que quer vir como projeto e como escolinha. Em questão de 60 dias deve ser anunciado”, revelou José Neto, que trabalha para o Fluminense.


A invasão de escolinhas de clubes de fora em Fortaleza pode ser vista sob dois ângulos, segundo o especialista em marketing esportivo Evandro Ferreira Gomes: “Em termos de mercado, vejo de forma positiva. Elas têm um padrão pré-estabelecido e replicado em vários estados. Isso tudo dá respaldo a um valor agregado. A ameaça é se valorizar cada vez mais o que é de fora”.


Ele também critica a forma como os times locais tratam suas escolinhas. “Esse modelo convencional, de um ex-jogador como treinador, de um gramado ruim, no horário antes do profissional, está exaurido”. O especialista aponta que a maior fatia deste mercado é de classe média e que a escolha tende a ser por quem tem reputação melhor. E dá dica aos clubes cearenses: “É uma exploração da própria marca, mercados em que o clube fisicamente não está presente, mas sem aquela preocupação de penhorar jogador para a base”.

 

BRENNO REBOUÇAS

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