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Jornal

A semana. O que foi destaque de 23 a 29 de julho

29/07/2017 17:00:00

A dúvida é onde isso vai parar


Paula Lima

Editora-adjunta do Núcleo  de Negócios

 

No Brasil, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) calculou um aumento de 8% do preço da gasolina, na última semana, desde o aumento do imposto sobre o combustível anunciado dia 20 pelo Governo. O brasileiro dormiu com a despesa extra pesando no bolso por cinco dias até que a Justiça vetou o aumento. O declarou inconstitucional por não cumprir o prazo de 90 dias para início da cobrança e estar formatado como decreto e não como lei. Em Fortaleza, fomos aos postos checar a redução. Um único registro de queda de R$ 0,02 na gasolina. O Governo Federal em defesa de uma maior arrecadação que cubra o rombo das contas públicas, garantiu que preços vão subir. “Pensaremos em outras formas de tributos, não há dúvidas”, disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Onde o cinto poderia apertar mais? Não houve nem tempo para o debate. A Advocacia Geral da União conseguiu liberar a cobrança alegando que estaria deixando de economizar R$ 78 milhões por dia. Na noite da última sexta, mais uma reviravolta. Meirelles assume erro no cálculo da alíquota sobre o etanol e reduz a alta em R$ 0,08 por litro. Afrouxa um tantinho para as usinas. Esse vai e volta, além de se manter pesando no bolso do consumidor, ameaça a força do Judiciário e ainda abala a base da equipe econômica.


Merecemos uma resposta mais eficiente


Lucinthya Gomes

Editora-adjunta do Núcleo de Cotidiano


Há uma violência alarmada pelas estatísticas de homicídios, que aumentam no Estado há quatro meses consecutivos. Mas há ainda uma violência que grita nas comunidades, estampada — ou não — nos muros, que impõe regras de circulação, toque de recolher, medo e silêncio aos cidadãos. O homicídio do motorista da Uber, Guilherme e Silva Maia, de 22 anos, no bairro Ancuri, no último domingo, escancara um cenário em que manter o motor do carro ligado e vidros fechados é sentença de morte. Joga na nossa cara a gravidade de dois adolescentes, de 13 e de 15 anos, serem apreendidos suspeitos, respectivamente, de quebrar o vidro e efetuar o disparo contra o motorista. Falo dessa violência que, dia a dia, recruta crianças e adolescentes para um mundo que naturaliza mortes precoces por envolvimento com tráfico de drogas. A dúvida sobre o que o Estado tem feito para impedir que tal mundo se perpetue também nos violenta. Afirmar que a morte de Guilherme só ocorreu porque não havia policial no local parece afronta. Os próprios profissionais e prédios de segurança pública têm sido alvos deste contexto. O Ceará registrou um homicídio a cada uma hora e meia no primeiro semestre do ano. Merecemos uma resposta melhor. Esperamos uma política eficiente, que vá além do discurso de repressão. Esperamos que o Ceará Pacífico se implemente, de fato, empoderando comunidades e difundindo um trabalho preventivo.


Economia, o nome da oposição venezuelana


Isabel Filgueiras

Repórter do Núcleo de Conjuntura

 

O chavismo está gravemente ferido. Nessa guerra de ideologias, protestos e autoritarismo, entretanto, são balas que pegaram de raspão, atingiram partes não vitais do corpo. O tiro certeiro que fez com que ele caísse foi o declínio da economia. O péssimo momento dela deu volume às manifestações antichavistas. A incapacidade do governo de se reinventar tornou tudo ainda mais caótico. Marcada para este domingo, a eleição dos 545 representantes que deverão formar a Constituinte preocupa a oposição. Em movimento calculado, o impopular governo de Nicolás Maduro buscou, nessa convocação, uma saída para os percalços que enfrenta. Uma maneira de legalizar as repressões que já tem feito. Ele despreza, porém, que mesmo com um novo conjunto de leis a seu favor, as sanções americanas continuam e o preço do barril de petróleo, principal fonte de renda venezuelana, não deverá subir em celebração a sua vitória. O caos deverá continuar até 2018, se o presidente mantiver a promessa de realizar eleições naquele ano. Com uma Constituinte, as portas políticas estão escancaradas, o jogo político pode recomeçar do zero. Tudo pode ser feito, menos o mais necessário: livrar a população venezuelana da depressão financeira em que o país está, há alguns anos, mergulhado.


Quando a mocinha desce a porrada


Émerson Maranhão

Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

 

Desconfio que não esteja longe o dia em que se tornará bordão em nossa cultura a expressão “Apanhou mais que vilã justiçada pela heroína da novela”. O sucesso da surra que Irene (Débora Falabella) levou de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Ritinha (Isis Valverde) esta semana em A Força do Querer só alimenta esta tese. A cena, exibida na última segunda-feira pela TV Globo, levou a internet à loucura e rendeu 41 pontos no Ibope ao folhetim escrito por Gloria Perez, maior audiência da trama até agora e número digno de capítulo final. Não que seja novidade, pelo contrário. Já virou clichê a sova que a protagonista da novela aplica em sua rival, à guisa de catarse para todos os sofrimentos infligidos por ela, quase sempre recorrendo a meios ilegais. Só para avivar sua memória, foi assim com Maria Clara (Malu Mader) e Laura (Claudia Abreu) em Celebridade; Melissa (Christiane Torloni) e Yvonne (Letícia Sabatella) em Caminho das Índias; e Maria do Carmo (Susana Vieira) e Nazaré (Renata Sorrah), em Senhora do Destino (cuja cena, aliás, foi exibida no capítulo reprisado terça). Novidade mesmo foram certas reações que o tal ‘corretivo’ causou. Houve quem se incomodasse com o nível extremado da violência. Já para muitas espectadoras incômodo mesmo foi ver, mais uma vez, mulheres saírem aos tapas por causa de um homem. No que têm razão. Tal recurso dramático, apesar de eficiente, reforça o discurso machista que sistematicamente os coloca no centro e as relega à periferia.

 

Adriano Nogueira

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