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Jornal

Nas empresas. As outras dores da chikungunya

10/06/2017 17:00:00
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O Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) mostrou que foram registradas 23.167 suspeitas de chikungunya em residentes de Fortaleza até o dia 2 de junho. Do total, 15.538 confirmam os casos. Não apenas a população é acossada pela enfermidade. As empresas também sentem o impacto da doença, com alto índice de faltas, demanda de horas-extras e funções desguarnecidas. É o preço da chikungunya.
[SAIBAMAIS] 

Na Exponencial, que atua no segmento de call center, 100 pessoas são responsáveis pelo serviço de telecobrança. Do total, 20% caíram de cama.
 

“Tivemos de dispor de horas-extras no mês de maio, o que gerou um custo médio de 20% para nós”, avalia Valderi Sales, sócio-diretor da Exponencial. A média de afastamento é de até duas semanas. “O que pedimos aos funcionários é que conversem com famílias e vizinhos sobre o assunto. As ações educativas têm surtido efeito”, explica. Segundo ele, no mês de junho, não foi registrado nenhum caso de afastamento relacionado à chikungunya.
 

No mês de abril, os Mercadinhos São Luiz também sofreram com um surto da doença. De dois a cada três funcionários acabavam faltando em decorrência da enfermidade nas unidades. “Tínhamos uma média de 301 dias de afastamento causado pela chikungunya nas lojas, atingindo 38% de absenteísmo em abril”, afirma Fernanda Fiúza, engenheira de Segurança do Trabalho dos Mercadinhos São Luiz. A maior incidência ocorreu entre os colaboradores de frente de loja.
A alternativa foi criar um repelente caseiro à base de cravo para prevenir os colaboradores. Campanhas de conscientização de combate ao mosquito também foram instituídas nas unidades. O resultado foi a queda de 259 dias perdidos por causa da doença em maio. “Conseguimos reduzir em 10%, mas nossa meta é atingir 30%”, diz.
 

Aos poucos, os trabalhadores que voltam ao trabalho são remanejados para funções da mesma área de atuação que não exijam muito esforço. “Diminuímos o ritmo de atividade, especialmente daquelas que necessitam de movimento repetitivo. 

Algumas são remanejadas para fiscalização das lojas, trabalhos que não exigem fisicamente da pessoa”, conta.
 

Ela destaca não existir casos em que o empregado teve de ficar afastado pelo INSS. “Não precisamos contratar, independente da evolução do quadro de cada funcionário”.
 

Para não sofrer novamente com os afastamentos, Fernanda explica que é feito um acompanhamento pelos Recursos Humanos de cada loja. “Observamos o uso dos repelentes, verificamos se há recipientes com água acumulada. Também acompanhamos os atestados médicos que são relacionados à doença para mantermos um controle. Assim, fazemos um trabalho mais incisivo”, aponta.

Rendimento
Funcionários doentes representam uma queda na celeridade de atendimentos. No hospital Leiria de Andrade, entre 15% a 20% dos colaboradores adoeceram – de um total de 135 pessoas. Contribuiu para a situação um terreno baldio próximo à empresa. As campanhas de conscientização estão em fase de implantação e o desenvolvimento de um repelente caseiro tem sido elaborado para a prevenção.


Michele Silva, analista de Recursos Humanos do hospital, contraiu a doença em abril. “Ainda sofro as consequências. Descer do ônibus é muito difícil, por causa das dores nos pés. Hoje compreendo a dificuldade de quem teve a doença, principalmente as colaboradoras com mais idade”, destaca.

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