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Jornal

Editorial: "Corrupção envergonha o Brasil"

"Os brasileiros estão cada vez mais intolerantes com desvio do dinheiro público"

10/06/2017 17:00:00

Em recente entrevista ao portal da BBC Brasil, o cientista político francês Olivier Dabène, diretor do Observatório Político da América Latina e Caribe (Opalc), afirmou que o mundo inteiro é “amador” em corrupção, comparado ao Brasil. Mesmo havendo uma grande dose de verdade na afirmativa, é doloroso, para quem é brasileiro, ver-se frente a tal constatação.


Para Dabène, os políticos brasileiros veem a política como algo que permite o enriquecimento pessoal, sem levar em conta que a atividade deve servir aos interesses gerais. Ele diz que o País poderia ter crescido muito mais nos último 30 ou 40 anos, se não tivesse acontecido a “pilhagem sistemática” de seus recursos e empresas.


Para se ter ideia da diferença da corrupção no Brasil e em países que encaram a política como uma atividade nobre, para servir ao interesse público, basta comparar com investigação que vem sofrendo o deputado suíço Tomas Tobé. Ele é acusado de ter usado em benefício próprio as milhas acumuladas no cartão a que tem direito para usar gratuitamente o transporte público do país. O desvio do deputado equivale a cerca de R$ 3,8 mil, mas foi o bastante para levá-lo às manchetes dos jornais. No Brasil, a Operação Lava Jato avalia que o prejuízo da corrupção aos cofres públicos está na casa dos R$ 40 bilhões.


Claro que qualquer brasileiro sabe que a corrupção grassa no Brasil em todas as instâncias do poder, sem a necessidade que um cientista político estrangeiro precise informá-lo de tal distorção. E, ainda, é de conhecimento público, que a corrupção ganhou proporções gigantescas. No entanto, a análise de Dabène mostra que essa percepção espalha-se pelo mundo, o que pode levar o Brasil a ser visto como um país completamente corrompido, que não pode ser tido como sério.


Por isso, foi imperdoável a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomada na sessão de sexta-feira, de absolver a chapa Dilma-Temer da acusação de abuso de poder econômico e político. De qualquer modo, os brasileiros estão cada vez mais intolerantes com desvio do dinheiro público - e a Operação Lava Jato continua o seu trabalho -, o que dá esperança de que esse estado de coisas pode ser superado, para o bem de todos.


Adriano Nogueira

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