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Jornal

A semana. O que foi destaque de 4 a 10 de junho

10/06/2017 17:00:00

A história relativiza o conceito de vitória


GuálterGeorge

Editor-executivo de Conjuntura


O julgamento realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), peso histórico à parte, frustrou a expectativa da maioria que esperava a cassação da chapa Dilma-Temer. No entanto, é importante que se tenha maturidade para entender tais situações como naturais, também, a um processo democrático. A maioria dos ministros decidiu e é assim que funciona. Dito isso, deve-se reforçar os elogios à maneira competente como o relator, ministro Herman Benjamin, se portou, diante de um quadro internamente adverso. A começar pela flagrante má vontade do presidente Gilmar Mendes, com momentos até de indelicadeza e agressividade. Nos momentos em que foi possível olhar com mais atenção para os argumentos de um e de outro lado, evitando as filigranas jurídicas, sempre ficou claro que Herman parecia melhor fundamentado nas suas teses. Convenceu dois dos colegas de Corte - Luiz Fux e Rosa Weber -, apoio insuficiente para levar à cassação do presidente Michel Temer. Os que votaram pela absolvição - Gilmar Mendes, Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga e José Tarcísio - têm lá suas razões, apresentaram-nas, mas o sentimento geral é de que optaram por ficar do lado errado dentro de um processo que a memória política guardará. No futuro, certamente, será ainda mais difícil entender o caminho trilhado pelos que, fechando os olhos a provas contundentes, optaram pela contramão da história.


A guerra dos três poderes


Henrique Araújo

Editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura

 

O julgamento no TSE expôs uma cisão que tende a se agravar nos próximos dias. Precisamente, uma batalha entre os poderes da República, com Legislativo e Executivo de um lado e Judiciário do outro. Afinal, não foram casuais os inúmeros ataques do ministro Gilmar Mendes às delações da JBS e ao MPF no julgamento que livrou Michel Temer da cassação. Essas investidas, que se ligam a uma estratégia mais ampla do Planalto, dão a exata medida da queda de braço que se trava hoje no País, da qual o capítulo mais importante tende a ser a disputa entre Temer e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cujo mandato expira em setembro. Até lá, serão três longos meses nos quais Congresso e Governo unirão seus exércitos para tentar constranger membros do Judiciário, de modo a reduzir o campo de atuação da Operação Lava Jato. A estratégia, uma velha conhecida, foi cantada em verso e prosa por Romero Jucá quando grampeado por Sergio Machado. “Tem que botar o Michel lá”. Agora com fôlego renovado depois da ajudinha do TSE, o Michel está aí para liderar essa frente de batalha no Parlamento contra as investigações das quais ele próprio se tornou alvo. Para quem costuma repetir o mantra de que, apesar da crise, as instituições funcionam, uma péssima notícia: os poderes da República estão em guerra aberta.


Cid sob fogo cruzado e os efeitos para 2018


Ítalo Coriolano

Editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura

 

Em menos de um mês, o ex-governador Cid Gomes (PDT) viu sua pacata rotina após a saída do poder ser abalada por três frentes de acusação que demandarão esforço redobrado do pedetista. No dia 19 de maio, vem à tona delação da JBS que o acusa de receber R$ 24 milhões de propina em troca da liberação de créditos do ICMS. No dia 6 de junho, vira réu por suposto crime financeiro junto ao BNB. Vinte e quatro horas depois, tem uma obra na Serra da Meruoca embargada por suposto dano ambiental em área de proteção permanente. Cid alega denúncias infundadas e perseguição. O certo é que terá muito trabalho para enfrentar esses reveses, sem ainda saber do impacto disso para sua imagem. Na carreira, Cid enfrentou polêmicas, mas sempre conseguiu se distanciar de acusações de corrupção. Os casos agora são mais graves e os desdobramentos serão monitorados pela oposição. Desgaste que pode ter efeitos em 2018, por ser um dos principais cabos eleitorais do governador Camilo Santana (PT) e do irmão de Ciro Gomes (PDT), que já colocou nas ruas seu projeto de chegar à Presidência da República. Num momento em que o discurso ético impera, a associação pode ser desastrosa. Cid, por sua vez, que não costuma antecipar decisões eleitorais, já avisou que disputará vaga no Senado para “não deixar um ladrão assumir meu lugar”. Desta forma, a política entra como uma de suas trincheiras de defesa. Mesma estratégia já utilizada pelo aliado e ex-presidente Lula. O tom agressivo antecipa o clima de uma campanha de contornos imprevisíveis.


A segurança e os resultados que não chegam


Lucinthya Gomes

Editora-adjunta do Núcleo de Cotidiano

 

É hora de reavaliar a metodologia. Apesar do esforço da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em intensificar operações policiais, apreensões, prisões e até encenações, os indicadores de violência têm disparado. Na última sexta-feira, balanço oficial do mês de maio apontou aumento de 124% no número de homicídios em Fortaleza. Mais que o dobro do registrado no ano passado. Em todo o Ceará, o número subiu 65%. Com 471 mortes violentas registradas no Estado no último mês, a média foi de 15 assassinatos a cada dia. Um cenário de desalento para a população, que se espanta a cada notícia de assalto a mão armada, roubo de veículos, duplos, triplos homicídios, e se acua. Um contexto em que os próprios agentes da segurança pública têm sido mortos, ainda que estejam sem farda. E junho já não começou bem. Basta citar a chacina acontecida numa casa de veraneio no Porto das Dunas, em Aquiraz, no sábado, dia 3. Diante do aumento nas estatísticas, a SSPDS aponta como explicação a crise no sistema penitenciário. O investimento e o discurso da pasta voltados para ações ostensivas, de confronto, de fechar o cerco contra o crime, resume a segurança pública a um cenário de guerra e põe a população em meio ao fogo cruzado. E não tem sido suficiente.

 

Adriano Nogueira

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