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Sem renúncia. Temer desqualifica gravação e delatores

Em pronunciamento em rede nacional neste sábado, o presidente reiterou que não deixará o cargo e atacou Joesley Batista, dizendo que delator cometeu "crime perfeito"

20/05/2017 17:00:00
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Michel Temer (PMDB) enviará ao Supremo Tribunal Federal (STF) petição para que a Corte suspenda o inquérito aberto contra ele por corrupção, obstrução de justiça e formação de organização criminosa.

 

Em pronunciamento em rede nacional na tarde de ontem, o presidente afirmou que a gravação de conversa entre ele e Joesley Batista, dono da JBS, é “fraudulenta e manipulada” e que as incoerências entre o áudio e o seu depoimento comprometem a lisura do processo por ele desencadeado”.

 

O peemedebista reiterou que não renunciará ao cargo. “O País não sairá dos trilhos. Eu continuarei à frente do governo”, afirmou. No discurso, preparado pela cúpula do Planalto desde a manhã de ontem, Temer cita laudos de perito contratado pela Folha de S. Paulo, que conclui que a gravação tem mais de 50 edições. “Essa gravação clandestina (...) foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos”.

 

Temer ataca as delações de Joesley Batista, sócio da JBS, e Ricardo Saud, diretor da empresa, afirmando que houve falso testemunho à Justiça. “Há muitas mentiras em seu depoimento”. Sobre a denúncia de que teria pedido a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Temer diz que não existe essa confirmação pela gravação. “Não obstruí a Justiça, porque não fiz nada contra a ação do Judiciário”.

 

Acrescenta que não acreditou na narrativa de Joesley de que ele teria segurado juízes. “Ele é conhecido falastrão exagerado. Depois, em depoimento, podem conferir, ele disse que havia inventado essa história. Era fanfarrice”.

 

Ao fato de Joesley estar “livre e solto, passeando pelas ruas de Nova York”, Temer critica que o empresário não tenha passado “nenhum dia na cadeia”. “Não foi preso, não foi julgado, não foi punido e pelo jeito não será. Cometeu, digamos assim, o crime perfeito”. O presidente acusa Joesley de “especular contra a moeda nacional” ao comprar dólares e vender ações da JBS na Bolsa de Valores antes do vazamento da delação na imprensa.

 

Em seu discurso, o presidente diz que a JBS obteve empréstimos bilionários no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos dois últimos governos (Lula e Dilma) e que o seu governo não atendeu a seus pedidos. “Não sustenta, portanto, a acusação pífia de corrupção passiva”.

 

Beatriz Cavalcante

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