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Investimento. Orquestra da Uece enfrenta falta de recursos

Cultura: Mesmo com shows bem recebidos pelo público e o convite de José Carreras, a Osuece convive com dificuldades financeiras, redução do números de ensaios e falta de material de trabalho

20/05/2017 17:00:00
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Há uma palavra que paira sobre a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará (Osuece): contradição. De um lado, o reconhecimento de se apresentar com José Carreras, um dos principais tenores do mundo. Do outro, a baixa que é ver a bolsa dos músicos cair de R$ 450 para R$ 300 por mês. “Acho que é indigno. É desnecessário. Nós contribuímos para a transformação da música na Cidade e é isso que recebemos”, desabafa o maestro Alfredo Barros. “A gente tem muito valor e só precisa de estímulo financeiro para a estrutura poder funcionar e os músicos poderem frequentar os ensaios com dignidade”, completa.
 

Em nota sobre a redução, a Uece aponta que “problemas financeiros” levaram o Governo Estadual a “realizar contingenciamentos no custeio” e foi preciso “estabelecer as prioridades em relação às quais não poderia haver redução do patamar de conquistas relativas ao número de bolsas estudantis alcançado em 2014”. O comunicado é assinado por prof. Hidelbrando dos Santos Soares, presidente da Fundação Universidade Estadual do Ceará (Funece), e trata da baixa em todos os cursos, inclusive na música. “Administração Superior fez a escolha pela redução de valor e de carga horária, sem prejuízo do número de bolsistas”, completa.
Na orquestra, são 65 artistas. O número foi mantido, mas agora os ensaios foram reduzidos de três a dois por semana. “A gente precisa de material de manutenção, que é pouco, não passa de R$ 1 milhão por ano para cuidar de tudo. Tem eventos aqui no Estado que se gasta R$ 600 mil num só cantor”, reclama.
 

Desde o início, em 2009, a orquestra enfrenta problemas de falta de investimento. Na contramão do que projetou Alfredo, com o passar do tempo essas questões estão aumentando. “Nós não temos verba para manter a orquestra. Os músicos estão desolados com isso. Muito difícil trabalhar nessas condições. A situação nossa é precaríssima, mas ainda assim pessoas que veem o nosso trabalho se encantam”, contrapõe.
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Perguntado sobre o que mantém a orquestra viva, apesar dos problemas, ele aponta: “Paixão e sonho. Eles acreditam demais nesse trabalho e eu também. Por isso a gente está aqui e vai tocar com o José Carreras”. Segundo o regente, o público que eles foram construindo no Estado também dá esse suporte: “A opinião pública nos é muito favorável. Os nossos concertos são lotados. Todos que a gente fez em 2016 tiveram casa cheia”.
 

“Alguns meninos vêm de bicicleta para não gastar o dinheiro da bolsa, que é pouco, com o ônibus. Você vê o esforço de todos os músicos”, aponta a percursionista Aryadine Venancio. Mesmo com os problemas, ela diz que a vontade de produzir música de qualidade faz com que a orquestra continue conseguindo êxitos. “A música clássica aqui no Ceará é muito desvalorizada, mas mesmo assim a gente está nos ensaios com toda a dedicação”, diz, firme.
 

Para Alfredo, o show promoverá o encontro com novos públicos, o que pode render frutos. “É uma oportunidade da elite, dos empresários, verem que nós temos, na Uece, uma orquestra talentosíssima e que eles podem ajudar, patrocinar, participar do processo. Eu tenho certeza que é um grande salto para a visibilidade da universidade”, almeja. (Renato Abê) 

 

 

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