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Jornal

Dois dedos de prosa com Carlos Marun

13/05/2017 17:00:00
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Carlos Marun. Braço direito do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — cassado pelos seus pares e preso no âmbito da Operação Lava Jato —, o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) presidiu a Comissão Especial que discutiu a Reforma da Previdência, há duas semanas. Polêmica, a matéria foi aprovada pela maioria folgada dos membros da comissão, constituídos de aliados do governo do presidente Michel Temer, e agora deve ser apreciada em plenário. Durante esse processo, protestos e invasão ao Congresso

Nacional marcaram as adequações ao texto patrocinado pelo Palácio do Planalto.

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OPOVO - Como foi a condução da comissão especial da reforma da previdência?

 

Carlos Marun - Como eu havia previsto, foi o maior desafio da minha vida política até aqui. Trata-se de um assunto que mexe diretamente com milhões de pessoas. Na verdade acabou-se mais estabelecendo um clima de relativo respeito e de cumprimento de acordos na comissão que acabou facilitando o trabalho. 

 

OP - Tudo ocorreu como deveria?

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Marun - O único ponto fora da curva foi a invasão dos agentes penitenciários. Na verdade, isso é consequência de uma boa causa sendo defendida de uma forma equivocada. Eu respeito e entendo como justa a reivindicação dos agentes penitenciários. Eles já têm a garantia de que o acordo feito na comissão vai ser cumprido. Vamos apresentar o destaque em plenário que vai atender a categoria, semelhante aos policiais. Os agentes chegaram mal orientados por algumas lideranças e até por alguns parlamentares. Mesmo se isso não tivesse acontecido, eu tenho convicção de que a reivindicação já estaria no relatório. 

 

OP - Houve uma falha na segurança da Casa? 

 

Marun - A invasão ficou clara que tinha sido uma falha. Se subestimou ao que poderia acontecer. Foi interrompido o funcionamento do parlamento brasileiro. O poder Legislativo estava concentrado naquela sala da comissão. O funcionamento do Legislativo brasileiro foi interrompido. Foi de uma gravidade... O parlamentar pode ser pressionado, e faz parte da democracia, agora coação não, coação é fascismo e nós não podemos aceitar que isso se estabeleça. O presidente Rodrigo Maia tomou as providências no departamento de segurança da Casa para que isso não volte a acontecer. 

 

OP - Durante esse período, manifestantes acamparam nas proximidades da sua residência como forma de protesto. Como o senhor enfrentou a resistência presidindo a comissão de uma pauta polêmica?

 

Marun- Eu entendo isso como coação. Pressão é fazer manifestações, isso é pressão. Agora você ter centenas de pessoas acampadas na sua casa, na sua cidade, onde mora sozinho a tua mulher e teu filho, isso é coação. Passado esse momento da reforma, temos que pensar numa forma de coibir isso. Porque você não sabe quem está lá acampado. Você não tem dispositivo de segurança. Eu sou favorável às manifestações, já participei de diversas na minha vida, e sei o que é manifestação. Agora coação é diferente. 

 

OP - A PEC, agora, deve enfrentar uma longa batalha no plenário.

 

Marun- O texto (da reforma da previdência) é excelente. Fizemos o que deveríamos ter feito em termos de parlamento. Foi uma proposta do governo e nós estabelecemos o debate na comissão permitindo que todas as correntes de opiniões se manifestassem. A partir da pressão da sociedade, foram chegando ao relator, a mim e aos membros da comissão, reivindicações. Muitas dessas reivindicações foram incorporadas ao texto. Nós temos um projeto que atende à necessidade de ajuste fiscal, mas que é muito menos abrupto na sua implantação e nos seus objetivos finais. 

 

OP - Governo tem força para aprovar?

 

Marun - O governo tem força porque o projeto é bom. O projeto inicial teria muita dificuldade para ser aprovado ou talvez nem seria. Mas esse novo projeto é bom, já não é mais do governo, é do governo e do parlamento. No final de maio, teremos a maioria segura para aprovação na Câmara.

Wagner Mendes

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