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Crise. O preço da instabilidade política

No curto prazo, o mercado de capitais, com dólar em alta e bolsa em baixa, foi afetado. Para o futuro, entram na corda bamba variáveis como emprego, inflação e juros

20/05/2017 17:00:00

A delação premiada dos sócios da JBS, Joesley e Wesley Batista, abalou o processo de retomada da economia do País. Os impactos da turbulência no mundo político já refletiram diretamente, no curtíssimo prazo, na maior alta do dólar em 18 anos e maior queda da Bolsa de Valores em quase nove anos. Para o futuro há imprevisibilidade e o caos político se prolongando por mais de 30 dias já coloca na corda bamba o retorno do emprego, do crescimento da economia e da confiabilidade dos investidores.


A aposta da recuperação da economia brasileira estava na aprovação principalmente das reformas previdenciária e trabalhista, que tiveram calendário suspenso após a divulgação dos áudios entre o dono da JBS e o presidente Michel Temer (PMDB). Sem as reformas, acredita-se que a volta do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) possa se transformar em resultado negativo, em vez dos previstos 0,2% a 0,5% de estabilidade.


Deterioração das expectativas econômicas causam aumento das incertezas no setor produtivo. Não se sabe quando é o melhor momento para investir, inclusive quando se fala do plano de concessões do Governo Federal e do Estado do Ceará. Isso porque nas delações da JBS ainda constam os nomes do ex-governador Cid Gomes (Pros), do atual Camilo Santana (PT), dos secretários Antonio Balhmann (Pros) e Arialdo Pinho, titular da Secretaria do Turismo.


Mediante tantas provas de corrupção, o mercado até reagiu com tranquilidade na sexta-feira. O dólar comercial fechou o dia com queda de 3,92%, para R$ 3,257e a Bolsa valorizou 1,69%. Mas o futuro continua enevoado. Também na sexta, a agência de classificação de risco Moody’s indicou que as notícias envolvendo o presidente prejudicam a perspectiva de crédito do Brasil, “ameaçando paralisar ou reverter o positivo momento político e econômico observado recentemente”.


Para André Guilherme Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, o mais importante em todo o processo de crise política é que a equipe econômica se mantenha. “Se (Henrique) Meirelles (ministro da Fazenda) ficar ele poderá colher os frutos da retomada econômica em 2018”.


Lado positivo

Nem tudo está perdido. Célio Fernando, economista e presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Nordeste (Apimec Nordeste), analisa a turbulência política como mais uma fase de amadurecimento da democracia do País. “Estamos construindo o amadurecimento do País e uma sociedade com resiliência política”.

 

NÚMEROS

 

8,15%

foi o percentual de alta do dólar na quinta-feira, dia seguinte à divulgação do áudio da delação premiada dos executivos da JBS, em que acusa o presidente Michel Temer de corrupção passiva e obstrução à Justiça.

 

0,5%

Era a projeção de estabilidade do Produto Interno Bruto (PIB) antes de deflagrada esta crise política e colocado em xeque o andamento das reformas trabalhistas e da previdência. Agora há perspectivas negativas

 

Beatriz Cavalcante

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