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Jornal

A semana o que foi destaque de 7 a 13 de maio

13/05/2017 17:00:00

 

Érico Firmo
Editor-executivo do Núcleo de Cotidiano e colunista político


O terrorismo que se espalha como pandemia


Por mais precaução que tomem e por mais paranoicas que se tornem, as grandes potências repetidamente se mostram vulneráveis aos terroristas. Quando se trata de ciberterrorismo, essa fragilidade se multiplica exponencialmente. Marca do mundo moderno, a hiperconexão representa talvez sua maior fragilidade em larga escala. Se o terrorismo convencional ataca aglomerações de modo a causar repercussão, o ciberterrorismo consegue atingir metade do mundo simultaneamente.


O mega-ataque da última sexta-feira talvez tenha tido como consequência mais relevante a exposição da capilaridade em potencial desse tipo de ação.

Espalha-se instantaneamente pelo planeta como pandemia, valendo-se das redes de conexão que aproximam países.


Isso é possível, em parte, por falhas de segurança dos sistemas, especificamente o Windows. Mas, o fato de serem bilhões de dispositivos conectados em praticamente cada recanto da civilização não apenas amplifica o potencial risco como dificulta enormemente a identificação dos culpados. O mundo não sabe como prevenir e tem escassos mecanismos para punir esse tipo de crime.

Encontrar os responsáveis é difícil e definir jurisdição para puni-los por um crime transnacional é desafio extra.  

 

Henrique Araújo

Editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura


Moro e Lula contra a parede


Em três anos de Operação Lava Jato, poucos episódios terão servido tanto para iluminar o momento político pelo qual o Brasil passa quanto o depoimento prestado por Lula ao juiz federal Sergio Moro, na última quarta-feira, 10. Nele, veem-se os contornos exatos de uma disputa que extrapola o âmbito jurídico, seja na insuficiência das respostas do ex-presidente e nos modos como ele pessoaliza o que, em tese, seria parte de um trâmite processual; seja na gratuidade ou no quase nonsense das perguntas do magistrado, cuja retórica desapaixonada acaba se traindo quando escapa do foco da ação penal em questão, que é apurar se Lula recebeu ou não propinas da OAS. E como o juiz extraviou-se do objetivo do interrogatório, submetendo o petista a elucubrações em torno inclusive do mensalão, processo já plenamente julgado no Supremo e em relação ao qual há quase nada a acrescentar. Vendo-se as gravações do depoimento, a impressão é de que, se Lula deu-se por satisfeito negando precariamente suspeitas que são graves por si mesmas, Moro mostrou-se mais político agora do que quando divulgou os áudios de conversas entre o petista e a ex-presidente Dilma. É precisamente aí que está a chave para compreender a encalacrada vivida por nós: no mesmo processo, vimos um réu que se crê perseguido político e vítima de uma arbitrariedade; e um juiz que, nas entrelinhas, dá margem para acusações de que age politicamente.  

 

Guálter George
Editor-executivo do Núcleo de Conjuntura

 

O único poder capaz de garantir a travessia

Gilmar Mendes está a exigir uma boa descompostura faz algum tempo. É notório seu comportamento fora dos padrões austeros que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), pré-julgando, falando pelos cotovelos fora dos autos, constrangendo colegas dentro do plenário, pela imprensa e em eventos públicos dos quais participa, enfim, demonstrando-se o anti-magistrado sempre que a oportunidade surge. Porém, seria esdrúxulo puni-lo pelas decisões tomadas na 2ª Turma, da qual faz parte, porque elas integram, neste caso sim, seu mister objetivo como integrante de uma Corte cuja função principal é, ou deveria ser, zelar pelo respeito à Constituição, lei maior do País. O Judiciário precisa fazer sua correção de rumos, claro, mas o enquadramento daqueles que agem em desacordo com suas tarefas deve se dar em clima de serenidade. O Brasil precisa de pelo menos um dos seus poderes mantendo um mínimo de credibilidade e, no caso, é impossível exigir da sociedade que espere algo de Executivo e Legislativo, com seus atuais membros e os exemplos quase diários que oferecem de descompromisso com o interesse público. Agregar o terceiro poder a este clube de de desacreditados seria trágico, quase fatal, para uma sociedade que não vê a hora de dar as costas para uma crise cuja resistência está baseada, muito, na fragilidade das instituições. Até que seja possível, pelo voto, mudar o cenário nos demais, cabe à Justiça evitar que o caos e a anarquia se instalem.  

 

Émerson Maranhão
Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

 

Existe cinema sem ideologia?

Perde muito, para dizer pouco, quem desimporta a relevância política da cultura.

Atestam ignorância abissal aqueles que relegam às artes função meramente de entretenimento. No entanto, ainda há quem insista em fazê-lo. Novo caso deu-se agora, na semana que passou. Um ano depois que a equipe do filme Aquarius denunciou, no tapete vermelho de Cannes, o que considerara um golpe na democracia brasileira, o cinema nacional volta ao olho do furacão. Sete cineastas selecionados para mostras competitivas no 21º Cine PE, um dos mais importantes festivais de cinema do País, anunciaram boicote ao evento.O motivo alegado foi uma seleção de títulos que “favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático no Brasil em 2016”. A ponta do iceberg, os longas O Jardim das Aflições, sobre o filósofo conservador Olavo de Carvalho, e Real – O Plano por Trás da História, que mitifica FHC, Gustavo Franco & cia. O Cine PE sentiu o baque e foi adiado por tempo indeterminado. Não à toa, o festival é comandando pela empresa de Alfredo Bertini, que assumiu a Secretaria do Audiovisual no início do governo Temer, declarou guerra a Kleber Mendonça Filho e ainda assim só se segurou seis meses no cargo. Mesmo que Bertini e sua trupe neguem de pés juntos qualquer alinhamento ideológico, a reação em bloco dos cineastas mostra que dificilmente estratégias que tais passarão desperbecidas. O conflito deste espetáculo está só no primeiro ato.  

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