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Dois dedos de prosa com...

29/04/2017 17:00:00
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Ministra Cármen Lúcia

 

Ela é a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas abdicou de todos os rapapés e salamaleques. Cármen Lúcia Antunes Rocha, mineira de Montes Claros, chegou ao STF em 2006. Logo na solenidade de posse mandou que servissem apenas água, refrigerante e café. Abriu mão da residência oficial e também não usa o carro, com escolta de segurança, a que teria direito. Todos os dias chega ao prédio do STF dirigindo o próprio carro (e quase sempre com tanque de combustível na reserva). É uma magistrada que advoga por paixão a simplicidade - seja em todos os públicos a que tem de conviver, seja em detalhes da vida pessoal. E não perde a oportunidade de contar histórias. “Causos” de arrancar gargalhadas. Outro dia pegou o ônibus para ir ao oculista. Na volta, pupilas dilatadas, pergunta a uma mulher sentada na parada: “a senhora pode me dizer o nome desse ônibus que vem ai? É que eu voltei agora do oculista e não tô enxergando bem”. A mulher retrucou : “E a senhora acha que é a única aqui que não sabe ler?” Acabou tomando um taxi.


Noutro episódio, relata a aventura de levar o próprio carro ao mecânico. A definição do problema: um barulho no lado esquerdo, próximo do pneu. O mecânico olhou, examinou e tascou um bocado de termos que a ministra nada entendeu. Mas não se fez de rogada. E devolveu: “olha, me disseram que eram os embargos infringentes incidentais”. O mecânico ficou atônito: “eu não entendi foi nada do que a senhora disse”. Num sotaque mineiro típico, ela emendou - “uai, e você acha que eu entendi o que você falou?” Aí tiveram de se entender! Este é o ponto. Para Cármen Lúcia as pessoas precisam ser mais simples no viver para saber bem conviver. Em Brasília, semana passada, ao sair de um almoço promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), antes de entrar em seu carro, acompanhada da secretária de Comunicação Social do STF, Mariangela Hamu, ela falou ao Dois Dedos de Prosa:


O POVO - Qual o significado da simplicidade para a senhora, ministra?

Cármen Lúcia - Eu não sei muito bem o que é que é isso. Mas acho que é o jeito normal de ser das pessoas.

OP - Mas a senhora preside a maior Corte do País. E abriu mão de uma série de símbolos do Poder. Que mensagem que está por trás disso? O Judiciário precisa ser mais simples?

Cármen Lúcia - Eu não penso muito nisso não, com toda a honestidade do mundo. Eu vivo desse jeito, independente do cargo.

OP - Qual sua definição para poder?

Cármen Lúcia - Poder quem tem é o povo. É o cidadão, que pode atuar, que pode falar, que tem o direito, o dever e a responsabilidade de falar. O poder é verdadeiramente do povo. E cada vez mais.

OP - E o que é o Supremo para a senhora?

Cármen Lúcia - É uma grande oportunidade na vida que tenho de fazer alguma coisa dentro dos meus ideais de professora de direito constitucional, de uma cidadã que quis sempre o melhor para o Brasil. Então a vida me deu uma oportunidade que quero saber honrar.

OP - Qual deve ser a relacão entre justiça e imprensa?

Cármen Lúcia - Sempre de absoluta transparência e de comunicação intensa e permanente, para que haja o aperfeiçoamento das instituições, como o Supremo.

Por Arlen Medina Néri

Jornalista do O POVO

 

Adriano Nogueira

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