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Trump e a mídia. A guerra das palavras

A era Trump na Casa Branca é marcada, até agora, pela tensão nas relações com boa parte da imprensa norte-americana. Pergunta-se: qual lado cederá primeiro?

17:00 | 04/03/2017
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A maior voz de oposição ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido meios de comunicação liberais e progressistas. De um lado, a imprensa investiga cada aspecto da vida e das falas do governante. De outro, Trump dá o troco proibindo a acesso de certos jornais e televisões e tachando aqueles que o criticam de “noticiários falsos”. Nas duas frentes dessa guerra, a disputa é pelo poder de influência.

[SAIBAMAIS]

Há mais de 40 anos, desde Richard Nixon (1972), um presidente não tinha uma relação tão amarga com a mídia. A diferença é que Trump tem sua conta no Twitter e a Fox News como aliadas. Isso o torna menos dependente dos meios de comunicação que tanto ataca.


Antes mesmo da campanha presidencial 2016, vários jornais trataram a candidatura de Trump como piada. Desde o início, ficou claro que os discursos conservadores dele, classificados como machistas, misóginos e xenófobos, incomodavam e não seriam tolerados. Ressentido, o presidente começou a desacreditar os meios de comunicação, muitos dos quais ele usou para se promover no passado.


O pesquisador visitante da Universidade de Columbia, em Nova York, Pedro Burgos, avalia que essa guerra não deve durar por todo o mandato. Os dois lados perceberão que precisam achar um meio termo. Já circulam rumores de que a filha mais velha, Ivanka Trump, planeja aconselhar o pai para que modere o tom. Membros do partido Republicano também devem adotar postura similar para sair do foco da mídia. No entanto, no que depender dos conselhos do chefe de estratégia de Trump, Steve Bannon, a acidez deve persistir. Em entrevista em janeiro, ele disse que a mídia era o “partido de oposição” e que deveria “ficar calada”.


Para Pedro, talvez seja mais interessante que os meios de comunicação assumam papel menos opinativo e mais objetivo e passem a focar mais nas ações que nas falas de Trump. “Apesar de declarações desastrosas e diversas pequenas mentiras, Trump não fez nada significativamente terrível em termos de políticas públicas. Ao criar um escândalo a cada gafe, a mídia pode perder o poder de mobilizar a sociedade quando problemas mais sérios aparecerem”, diz.


O pesquisador destaca ainda que a credibilidade da grande mídia nos Estados Unidos tem atingido o nível mais baixo em décadas e a imprensa precisa contornar essa situação. “A mídia está em uma sinuca de bico: se, quando Trump fizer coisas positivas para o país, ela continuar no modo agressivamente oposicionista, perderá ainda mais a confiança da população”, argumenta.


O coordenador do Observatório da Ética Jornalística (Objethos), Rogério Christofoletti, afirma que é papel da imprensa pegar no pé do presidente e de qualquer outro governo. “Trump, por sua vez, pode privilegiar um meio em detrimento de outro, repassando informações exclusivas. Mas Trump não repassará notícias ruins de seu governo, só boas. Neste sentido, não é de todo mal ficar de fora numa coletiva na Casa Branca. Jornalismo se faz também fora dos palácios, dos salões ovais”, pondera.


Ameaça

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) alerta que o tom agressivo do presidente estadunidense representa um riscos para imprensa do mundo todo. De acordo com o coordenador de programa das Américas do CPJ, Carlos Lauria, Trump passa a mensagem de que é aceitável atacar a mídia, o que representa uma ameça para jornalistas sobretudo em países com governos que já os marginalizam.

 

“Minar a credibilidade da imprensa resulta em mais poder para ele, para que faça ações sobre as quais ninguém será responsabilizado. Muitos populistas na América Latina já usaram esse tipo de tática. Acredito que a imprensa dos Estados Unidos deva olhar para como a mídia lidou com essas situações no passado”, afirma Carlos.

 

 

Os noticiários falsos estão indo à loucura com suas teorias conspiratórias e ódio cego. @MSNBC & @CNN estão impossíveis de assistir. (O programa) @foxandfriends é ótimo! (15 de fev.)


O @nytimes falido foi forçado a se desculpar aos assinantes pela cobertura sofrível das eleições que venci. Agora eles estão piores! (7 de fev.)


O @nytimes falido escreve ficção total no que diz respeito a mim. Eles estiveram errados por dois anos e agora estão inventando histórias e fontes! (7 de fev.)


Quaisquer pesquisas negativas são notícias falsas, como as pesquisas de intenção de voto da CNN, ABC, NBC nas eleições. Desculpa, mas as pessoas querem segurança na fronteira e bloqueio extremo. (6 de fev.)


Saindo agora da Flórida. Grandes aglomerações de adeptos entusiasmados fazem fila na rua, algo que os noticiários mentirosos se recusam a mencionar. Muito desonesto! (13 de fev.)

 

ISABEL FILGUEIRAS

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