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Ponto de vista. Parada obrigatória

17:00 | 04/03/2017

Há de se medir a influência de alguém por critérios que vão além do subjetivo. Nesse contexto, qualidade artística seria item descartado de pronto. Injustos e polêmicos, os prêmios somam valor à carreira de alguém. E Will Eisner tem um marco que ninguém nunca igualará: a principal honra dos quadrinhos no mundo foi batizada em homenagem ao mestre. Para a SétimaArte há o Oscar; na Nona Arte, existe o Eisner Award – e, ironicamente, Will recebeu alguns deles também.  

Nos quadrinhos, há um antes e um depois de Will Eisner. Tanto pela qualidade de sua narrativa gráfica, quanto pela longevidade de sua produção, o norte-americano fincou sua digital nos quadrinhos d os gênios que o sucederam. De Frank Miller a Alan Moore. De Stan Lee a Art Spiegelman. De Bá e Moon a Neil Gaiman.  

Mais do que tudo, Eisner tocou pessoas e possibilitou trabalhos, desde 1939 até 2005. Sua abordagem única da narrativa sequencial, por exemplo, foi fundamental para a popularização dos romances gráficos (graphicnovels) – “Um Contrato com Deus” (1978) foi o primeiro sucesso editorial do mundo. Ele equilibrava êxito e independência, aclamação e idealismo. Antes de Eisner, por mais que houvesse qualidade, tudo era tratado como material infantil. Após Eiser, a arte atingiu maturidade, densidade, drama e profundidade.  

André Bloc Jornalista do O POVO

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