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Memória. História do Boeing alemão sequestrado virou livro e filme

17:00 | 04/03/2017

O Boeing 737-200 foi encostado após a falência da TAF Linhas Aéreas. Espólio de uma questão judicial, a aeronave encerrou melancolicamente as atividades na aviação mundial em um “cemitério de aviões” no Aeroporto de Fortaleza.


Até aqui, pouco se sabia no Brasil sobre a presença do avião que tem uma biografia cruzada com a história do grupo extremista alemão Baader-Meinhof. Nem os próprios herdeiros da TAF, com quem O POVO tentou o contato por e-mail e telefone, nem a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero)


Antes de chegar ao Ceará, o enredo envolvendo o sequestro do avião virou livro-reportagem e filme. Pelas mãos de Stefan Aust, jornalista, biógrafo e ex-editor-chefe da revista alemã Der Spiegel, a narrativa ganhou dimensões de best-seller nas páginas do Der Baader Meinhof Komplex.


Baseado na publicação, lançada em 1985, os episódios terroristas daquele dramático Outono Alemão de 1977 ganharam uma versão para as telas de cinema.


O filme O grupo Baader Meinhof (2008), uma co-produção da Alemanha, França e República Tcheca, foi dirigido por Uli Edel que também assinou Chistiane F.Tendo o roteiro de Bernd Eichinger (o mesmo de A Queda! – As últimas horas de Hitler), preservado quase a íntegra dos diálogos extraídos de documentos históricos do governo alemão e outros países envolvidos no sequestro.


A película retratou a formação do Baader-Meinhof, que acabou cruzando a história do Boeing 737-200. A polêmica trajetória do Rote Armee Fraktion (Fração Exército Vermelho), RAF em alemão. Um movimento guerrilheiro de esquerda, radicalmente contrário ao sistema capitalista do planeta.


Na formação do grupo extremista, fundado em 1967, Andreas Baader e a jornalista Ulrike Meinhof, que abandonou a Redação após experimentar a truculência do governo alemão. Marcadamente, os fatos que deram na repressão policial a estudantes que protestavam contra a presença do xá do Irã a Berlim. Durante os atos, o assassinato de um estudante por um policial foi o estopim.


Depois de entrar para a luta armada, nos anos 70, o Baader-Meinhof passou a realizar sequestros, assaltos a bancos e outros atos considerados terroristas pelo governo. Como se aliar a grupos árabes inimigos da Alemanha, retratados no filme. Em 1977, deu-se o arrebatamento do Boeing 737-200 que vinha para Frankfurt. Também a morte (suicídio?) dos principais fundadores do controverso RAF.

 

ADRIANO NOGUEIRA

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