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Lavagem de dinheiro. Sérgio Cabral era "patrão", diz delator

17:00 | 04/03/2017

Em um dos esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos pela Procuradoria da República ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o peemedebista era o ‘patrão’. Um dos delatores da Operação Calicute, o empresário Adriano José Reis Martins, dono de concessionárias de carro, detalhou ao Ministério Público Federal como ‘esquentou’ dinheiro em espécie para Sérgio Cabral entre 2007 e 2014.


O ex-governador está preso desde novembro de 2016 em Bangu 8. O esquema de lavagem de dinheiro por meio das concessionárias de Martins é alvo da quinta denúncia da Procuradoria contra o peemedebista. Sérgio Cabral e seus aliados já são réus em três ações penais na Justiça Federal no Rio e em uma ação na Justiça Federal no Paraná.


Martins relatou que ‘foi procurado em 2006 por Ary Ferreira da Costa Filho (‘Aryzinho’), que informou que, a pedido de Sérgio Cabral (‘patrão’), deveria fazer pagamentos a empresa Gralc’, ligada a Carlos Miranda, este apontado como o ‘homem da mala’ do peemedebista. Teriam sido pagos R$ 3,4 milhões à Gralc a título de consultoria.


“Os pagamentos deveriam ser de R$ 50 mil, sendo R$ 25 mil para cada urna de suas empresas (Eurobarra e Americas Barra); que o depoente informou que não teria como efetuar tais depósitos, dando como desculpa que suas empresas não teriam rentabilidade para tanto”, declarou o dono das concessionárias em depoimento de 9 de dezembro. “Ary informou que lhe entregaria os valores em espécie a fim de que, após descontados os impostos, faria o crédito via bancária na Gralc.”


Ary era servidor da Secretaria da Fazenda do Rio, cedido à Secretaria da Casa Civil e foi exonerado em 6 de dezembro de 2016. Aryzinho foi preso em fevereiro na Operação Mascate, desdobramento da Calicute, que prendeu Sérgio Cabral.


O delator disse que ‘atendeu o pedido, haja vista que não teria qualquer prejuízo com a operação, bem como poderia manter um bom relacionamento com o Governo Estadual’. A defesa de Sérgio Cabral não retornou ao contato da reportagem. O advogado Julio Cezar Leitão, que defende Ary Ferreira da Costa Filho, disse que vai se manifestar nos autos.

 

ADRIANO NOGUEIRA

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