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Extremos. Manobras corajosas na areia e na neve

Esportes radicais Cearense criado nas areias do sandboard supera "choque térmico" e desponta também nas pistas geladas do snowboard

17:00 | 04/03/2017

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O Ceará tem vocação para esportes radicais. As peculiares características naturais fazem do Estado um celeiro formador de desportistas das mais diversas modalidades. Mais que isso, também é capaz de fazer com que muitos atletas despontem até em esportes que, para muitos, parecem fora da realidade cearense.
 

Como transformar um quixadaense em um dos principais esportistas de neve do País. O cearense Clenilson Silva, de 24 anos, é o atual vice-campeão  brasileiro de snowboard, uma espécie de surfe na neve. 


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Essa história teve início há 16 anos, quando ele começou a praticar sandboard — espécie de surfe na areia — nas dunas da Sabiaguaba, em Fortaleza. O esporte se assemelha bastante ao praticado na neve. Daí veio a facilidade para conquistar o 2º lugar na categoria Board Cross no Campeonato Brasileiro de Snowboard que foi disputado em setembro do ano passado, em Corralco, no Chile. No Board Cross os atletas disputam corrida em descida com percurso desafiador, incluindo saltos e obstáculos. A prova é disputada em baterias eliminatórias de quatro ou seis atletas.
 

“No primeiro dia eu já estava descendo a maior montanha do Chile. Muita gente falou que parecia que eu já estava há muito tempo praticando o snow, quando na verdade foi a primeira vez que eu estava na neve. Acontece que eu tava com a base do sandboard. A neve é diferente da areia, mas consegui adaptar muitas coisas. São esportes da mesma família. Eles eram distantes, mas agora se encontraram”, destaca Clenilson, que, pelo resultado conquistado, foi incorporado à Confederação Brasileira de Desportos na Neve e agora se prepara para participar novamente da maior competição da modalidade no País.
 

Natural de Quixadá, Clenilson saiu da terra dos monólitos, passou pela areia e chegou à neve para mexer com a geografia do esporte. Caminho que não é fácil. “Eu tenho que vender minhas próprias coisas pra viajar e competir fora. Cada viagem custa cerca de R$ 5 mil. É muito difícil ser atleta de sandboard, imagina de snowboard. Tive e tenho que fazer sacrifício pra ter condições de competir”.
 

Mesmo com todos os percalços, os esportes de areia e de neve proporcionaram a ele a oportunidade de realizar o sonho de desbravar o mundo.
 

“Não imaginava que um dia iria sair da Sabiaguaba, e hoje eu conheço o Brasil quase inteiro, além de outros países. Tudo graças ao esporte. Muita gente falou pra eu desistir, mas eu continuo acreditando em mim e que eu posso conquistar ainda mais”, enfatiza.
 

Agora Clenilson quer ir além. “Representar o Brasil nas Olimpíadas de Inverno é meu novo sonho. Já me sentia muito realizado em levar o sandboard pra fora, agora representar o País no snowboard vai me realizar. É um sonho que já foi mais difícil”. 

 

Veja entrevista em

www.opovo.com.br/videos

ANDRE ALMEIDA

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