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Dois dedos de prosa com

17:00 | 18/03/2017
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Gabriela Fialho, embaixadora da Fundação Eugénio de Almeida (que tem em seu leque de rótulos o vinho Cartuxa - produzido em Évora, Portugal), bateu um papo com O POVO em sua recente vinda a Fortaleza. Na conversa, a portuguesa que herdou da família o interesse pelo universo enólogo e que esteve na Capital para harmonização promovida pelo Mercadinhos São Luiz, falou sobre o rótulo secular Pêra Manca, aumento do consumo da bebida pelos brasileiros e de como a proximidade entre Brasil e Portugal promove a empatia pelos vinhos de seu país.


O POVO - O Pêra Manca está há mais de 100 anos no mercado como referencial de vinhos. Qual é o grande segredo?

Gabriela Fialho – O Pêra Manca é um vinho mítico. Dizem que Pedro Álvares Cabral, quando veio para o Brasil, trouxe Pêra Manca nas mãos. Já concorreu em muitos concursos internacionais e foi vencedor de importantes medalhas. A Fundação Eugénio de Almeida tem a alegria de ser responsável pela produção dele, que é sazonal. É um vinho feito para envelhecer, para durar no tempo.

OP – Mais algum detalhe sobre ele?

Gabriela - O rótulo. Ele também tem história. Desde o primeiro, é mantida a figura de uma senhora em cima do cavalo. Em 2005, fizemos uma adaptação, que mudou somente naquele ano. Entendemos que ele precisava de um visual mais atual. Daí, fizemos um rótulo mais colorido, mas a senhora no cavalo continuou (risos).

OP – E a receptividade dele em outros países?

Gabriela – Tem uma demanda muito forte tanto em Portugal como em outros países. O Brasil, por exemplo, foi, em 2016, nosso principal mercado destino de exportação do Pêra Manca.

OP – A a proximidade entre Brasil e Portugal contribui para esse consumo?

Gabriela – Sim. Existe uma relação afetiva muito forte entre Brasil e Portugal. Ela reforça o vínculo entre o Pêra Manca e os brasileiros. Por várias vezes, lançamos o rótulo na versão tinto no Brasil e não em Portugal. Quando os brasileiros visitam Portugal, sempre o procuram.

OP – O aumento do consumo de vinhos pelos brasileiros é notável. A que a senhora atribui?

Gabriela – O trabalho realizado pelos distribuidores e importadores de vinhos no Brasil tem sido fantásticos. Com isso, os brasileiros interessam-se, cada vez mais, por consumir vinho. Os clubes de vinhos também desempenham papel de capilaridade da bebida. Ao congregar pessoas que têm interesse comum no vinho, é promovido o aumento de seu consumo. Formações em geral promovem o consumo.

OP – Brasileiros ainda adquirem muito vinho em em viagens?

Gabriela – Vocês pagam muitos tributos aqui. O brasileiro toma conhecimento de outras marcas aqui mesmo e, quando viaja, descobre outras. “Tomei, gostei e vou comprar: esse é o tipo de comportamento do consumidor brasileiro”.

OP – Ter um sommelier à disposição do público no supermercado contribui para a disseminação do conhecimento?

Gabriela – Claro. Quando o consumidor chega a uma sessão de vinhos, tem um número muito grande de rótulos. Se ele não tiver conhecimento de vinhos, o que vai comprar? Se houver cada vez mais supermercados com esse tipo de assistência, podemos dizer que existe uma “mais valia” que tem como finalidade o bem-estar do consumidor. A segurança de estar sendo conduzido por alguém que tem conhecimento e pode indicar o que é melhor.

OP – Qual o segredo da harmonização correta?

Gabriela – A harmonização é uma questão fascinante. É como se você tivesse um maestro de uma orquestra para conjugar os aromas, características e sabor do vinho ao que está no prato. Há várias maneiras de fazer – nem todas são bem-sucedidas, mas podem tornar-se novas experiências de consumo.

 

Por Kelly Hekally

Repórter

 

ADRIANO NOGUEIRA

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