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Conexão Alemanha-Ceará. Alemanha quer repatriar avião sequestrado há 40 anos

Governo da Alemanha quer repatriar Boeing sequestrado por terroristas há 40 anos. Aeronave está virando ferro velho no Ceará

17:00 | 04/03/2017

Demitri Túlio
demitri@opovo.com.br

Mauro Costa
ESPECIAL PARA O POVO
maurocosta@ad2m.com.br


Treze de Outubro de 1977. Voo 181 da Lufthansa, de Palma de Mallorca (Espanha) com destino a Frankfurt. Meia hora depois de decolar, quatro terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), ligados ao grupo guerrilheiro alemão Baader-Meinhof, anunciam o sequestro do Boeing 737-200. A bordo, 86 passageiros e cinco tripulantes. Começava ali, uma das histórias mais trágicas do terrorismo mundial que ficou conhecida como Outono Alemão. Um enredo que passou a cruzar com o Ceará.

[SAIBAMAIS]

Março de 2017. Fortaleza. Personagem importante dessa narrativa sobre o terror, o Boeing 737-200 é uma das aeronaves de um “cemitério de aviões” no Aeroporto Internacional Pinto Martins. Hoje com o registro PT-MTB da extinta TAF Linhas Aéreas, está virando sucata na capital cearense.


O paradeiro e o destino do avião, quase 40 anos depois do sequestro que terminou com a execução (a sangue frio) do piloto Jürgen Schumann e da eliminação de três dos quatro terroristas no resgate dos reféns, voltaram à pauta na Alemanha e a despertar o interesse do governo de Angela Merkel.


Ao O POVO, Hans-Jürgen Fiege, cônsul honorário da Alemanha para o Ceará/Piauí/Maranhão, revelou que a intenção em “repatriar” o avião tomou corpo este ano por causa da efeméride do episódio terrorista e da possibilidade de transformá-lo em peça de museu. “Há um processo em andamento, conversas iniciais e definições a serem tomadas que ganharão celeridade após a temporada de Carnaval”, disse.


A pressa em resolver como se a daria a compra do lendário Boeing dos atuais proprietários, os herdeiros da extinta TAF Linhas Aéreas, tem motivo. É precário o estado de conservação da aeronave, abandonada há nove anos no “cemitério de aviões” do Pinto Martins.


De 2008 para cá, o cinza tomou conta da funilaria do Boeing construído há 47 anos. E no corredor não há mais as poltronas onde 86 passageiros passaram cinco dias entre a vida e a morte. Aterrissando e decolando, sem permissão, em seis países entre a Europa, Oriente Médio e África. Até a invasão do avião, na Somália, por agentes das Forças Especiais da Alemanha durante a Operação Fogo Mágico.

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