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Barra do Ceará. Polícia Militar ocupa Morro de Santiago

17:00 | 04/03/2017
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Considerado um dos redutos de facções criminosas que atuam no Ceará, o Morro do Santiago, na Barra do Ceará, está ocupado, desde a manhã deste sábado, 4, por homens do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar. A medida faz parte da operação Ocupação – Marco Zero, deflagrada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), e está inserida nas ações do programa Pacto por um Ceará Pacífico.


Os PMs montaram uma tenda na areia, que funcionará como base, e fincaram uma bandeira no topo do morro, onde permanecerão durante dez dias. Neste intervalo, estão previstas diversas ações ostensivas para a região, como o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão. “O morro é nosso. Está ocupado”, bradou o comandante da PM, coronel Ronaldo Viana, após a ação. “Vamos revitalizar essa área. Pode anotar”, disse, confiante.


Mais comedido, o titular da SSPDS, secretário André Costa, destacou que o objetivo da ação é prevenir ocorrências, reduzindo as estatísticas criminais em toda a região, que abrange também bairros como Pirambu, Cristo Redentor, Vila Velha e Goiabeiras. Na ação, Costa subiu em uma embarcação e utilizou tinta spray para cobrir pichações de facções nos pilares da ponte sobre o Rio Ceará.


“O ideal não é realizar prisões. É evitar que o crime não aconteça nessa região que estamos ocupando. Zerar as ocorrências e trazer serviços para a comunidade, o lado social”, disse o secretário.


Segundo Costa, a escolha da Barra do Ceará tem um simbolismo, já que uma das teorias históricas diz ter sido lá onde Fortaleza nasceu, o chamado “marco zero”. Além disso, a alta criminalidade da região, motivada pelo tráfico de drogas, foi considerada.


Moradores comemoraram a medida, mas não demonstraram crença de que a situação deva mudar após a ação. “Todos os dias nós vemos meninos de 13, 14 e 15 anos subindo o morro armados, como uma tropa. Com a gente, que eles conhecem, ninguém mexe. Mas se subir um desconhecido, de lá não volta”, disse um servente, de 52 anos. Conforme o coronel Viana, após a ocupação, o policiamento na área será reforçado.


Atuação

A operação envolve todas as forças vinculadas da SSPDS, como Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, e também diversos órgãos da Prefeitura e do Governo, que atuarão em uma estrutura montada na Praça do Santiago, no mesmo período. As Forças Armadas, através da Marinha, intensificaram a fiscalização de embarcações na área. (Thiago Paiva)

 

ADRIANO NOGUEIRA

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