PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Quatro pessoas são mortas em Maranguape na primeira chacina do ano

Conflito entre facções, segundo a Polícia, teria motivado o extermínio em massa. Em 2017 foram registradas seis chacinas, com 28 pessoas mortas

01:30 | 09/01/2018
Casa onde ocorreu a chacina fica em local ermo em Maranguape JÉSSIKA SISNANDO
Casa onde ocorreu a chacina fica em local ermo em Maranguape JÉSSIKA SISNANDO

 

Se 2017 foi ano de escalada da violência com recorde de homicídios, 2018 não começa muito diferente e o Ceará já registra a primeira chacina do ano. Quatro pessoas foram assassinadas em Maranguape (Região Metropolitana de Fortaleza) na noite do último domingo, 7.

 

Dessa forma, o Estado vê, na primeira semana do ano, a reprodução de um tipo de crime que se mostrou recorrente no ano passado. Em 2017, foram seis chacinas no Ceará, que vitimaram um total de 28 pessoas — via de regra, adolescentes ou homens jovens; a média etária não passa dos 21 anos. Para efeito de comparação, foram cinco matanças em 2015 e uma no ano seguinte.

A motivação para esses crimes também segue um padrão, com a disputa entre facções servindo como mola propulsora para os extermínios em massa. Nesse último caso em Maranguape não foi diferente.

Fontes relataram ao O POVO que a chacina foi causado por rivalidade entre grupos criminosos. A casa em que aconteceram os assassinatos fica no bairro Novo Parque Iracema, em um ponto de subida da Serra de Maranguape e mais afastado do centro do Município. O imóvel, por ficar em um local ermo, era utilizado pelas vítimas como esconderijo após a realização de assaltos e tinha em suas paredes inscrições de uma facção criminosa.

Segundo Edmo Leite, delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), um dos mortos no domingo sofrera um atentado dias antes. Os quatro homens assassinados foram surpreendidos com a chegada dos autores da chacina.

“Preliminarmente, as vítimas são envolvidas com tráfico de drogas, homicídios e roubos. São conhecidas no município de Maranguape. E a área em que nós estamos é conflituosa entre as facções. Não foi uma área tomada por um determinado tipo de facção. Esse grupo rival foi responsável pelo crime”, disse Edmo Leite, complementando que as investigações vão ficar a cargo da Delegacia de Maranguape.

Duas vítimas foram identificadas: Antônio Everton Brito Jacinto, 17 anos, e Jonas Farias da Silva, sem idade informada. Dos outros dois homens mortos, um foi reconhecido apenas como Lucas e outro não teve confirmada a identificação.

Até o fechamento desta página, nenhum suspeito foi preso.

Os corpos foram encontrados na manhã de ontem. A reportagem foi ao local e pode constatar o quão inclemente foi o ataque. Para se ter uma ideia, a Perícia Forense encontrou 94 cápsulas de revólver calibre 38 e pistolas .40 e 380.

Testemunhas — que não quiseram se identificar — contaram que ouviram os disparos na madrugada e que os autores da chacina desceram a pé a serra comemorando as mortes. Além dos tiros, golpes de foice foram utilizados no crime. O artefato foi recolhido pela Perícia para exame de DNA e impressão papiloscópica, para identificação de impressões digitais. (colaborou Jéssika Sisnando)

 

Casos em 2017

20/2 - Granja Lisboa. Cinco pessoas mortas e outras três feridas em conflito entre facções

3/6 - Aquiraz. Seis pessoas mortas em festa que comemorava soltura de traficante

 

12/6 - Horizonte. Cinco mortos, entre eles uma criança de três anos, e outras três pessoas feridas

 

20/7 - Paraipaba. Três mortos em conflito de facções

 

8/10 - Bom Jardim. Quatro pessoas mortas em suposta reunião para selar acordo de paz. Dois suspeitos presos

13/11 - Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, Sapiranga.

Vinte homens armados invadiram o centro e mataram quatro internos, de 13, 15 e 16 (2) anos.

JOãO MARCELO SENA