PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Duas pessoas são mortas por passageiro em ônibus

Educadora foi morta a tiros dentro do ônibus. Além dela, um homem que pulou a catraca também foi vítima. Suspeito é passageiro, que fugiu

01:30 | 12/01/2018
O crime aconteceu a cerca de uma quadra do Hospital de Messejana, para onde o motorista ainda seguiu na tentativa de salvar as vítimas MATEUS DANTAS
O crime aconteceu a cerca de uma quadra do Hospital de Messejana, para onde o motorista ainda seguiu na tentativa de salvar as vítimas MATEUS DANTAS

 

“Ela pegava esse ônibus e descia em Messejana para evitar os assaltos. Por coincidência, aconteceu uma tragédia dessas”. Assim, uma prima de Alexandra Assunção dos Santos, de 34 anos, lamentou a morte da educadora social, ontem, dentro de ônibus que fazia a linha Antônio Bezerra/Messejana. No fim da tarde, quando o veículo passava pelas proximidades do Hospital de Messejana, Alexandra e um homem, que pulou a catraca do veículo, foram baleados por outro passageiro e mortos.

 

O motorista chegou a levar o coletivo até o hospital com o rapaz já morto e Alexandra com vida. Ela tinha sido baleada na cabeça e não resistiu aos ferimentos.

O delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Alex Murador, detalhou o caso, após a perícia no local. Segundo ele, um rapaz entrou no ônibus na avenida Frei Cirilo, nas proximidades da unidade hospitalar. Após a entrada dele, outro passageiro, que estava sentado na parte da frente do veículo, começou a atirar. “A vítima entrou por trás, pulou a catraca e foi abordada por outro passageiro que estava na frente. A gente não sabe quem é. Sabe que é passageiro que estava andando de ônibus. E começaram os disparos”, detalhou. “No mínimo, a vítima estava com uma faca, mas existe a possibilidade de que ela estivesse armada”, afirmou.

&nsbp;

Pelo menos dez cápsulas de calibre 380 foram apreendidas no coletivo, além da faca, segundo o delegado. “Existem indícios que apontam que houve troca de tiros, perfurações que apontam dois sentidos, mas todas as cápsulas são do mesmo calibre, o que aponta, em tese, que é uma arma só”.

Outra informação que chegou ao delegado, por meio de testemunhas do crime, é de que o rapaz que pulou a catraca tinha uma arma que foi roubada. No entanto, há relatos de que seria um simulacro — que é semelhante a uma arma de fogo.

&nsbp;

De posse dessas informações, Alex Murador disse que deve ser feita apuração do caso por meio das imagens das câmeras de segurança do ônibus, que seriam recolhidas na manhã de hoje. Com as imagens, deve ser possível entender a dinâmica do crime.

Ainda conforme o delegado, o passageiro responsável pelos disparos fugiu do local do crime, a uma quadra do hospital. Até o fechamento desta matéria, a vítima que pulou a catraca não foi identificada.

O caso ficará 30 dias com a DHPP. Se não for elucidado, segue para a delegacia da área.

Motorista e cobrador

O motorista, com 16 anos de profissão, disse que já foi vítima de assalto, mas que nunca havia presenciado uma situação de tamanho choque. “Foi o maior susto que passei na minha vida. O ônibus estava lotado. Uns saíram correndo, outros ficaram dentro tentando socorrer a mulher, que estava agonizando. Eu mesmo saí correndo. Podia ter saído mais gente ferida ou morta”.

O cobrador lamentou não ter conseguido salvar Alexandra. “Foi tão próximo daqui (do hospital), mas não teve jeito. A gente tentou”. Os dois não quiseram se identificar.

JéSSIKA SISNANDO