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Por falta de materiais, órgãos para transplante são perdidos

Por falta de insumos e medicamentos, Sindicato dos Médicos e Cremec denunciam que alguns órgãos não chegam nem a ser captados. De acordo com profissionais de saúde, a falta de materiais é sistemática

01:30 | 16/12/2017
 

Denúncia recorrente de profissionais da saúde do Ceará, a falta de insumos médico-hospitalares em unidades do sistema público tem resultado na “inutilização” de órgãos que seriam transplantados. Relato de profissional do Hospital de Messejana dá conta de que muitos órgãos não chegam a ser captados pela falta de materiais.

[SAIBAMAIS]

De acordo com o Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina (Cremec), a crise na saúde se agrava e resulta, inclusive, na morte de pacientes em situações que poderiam ser evitadas. “Tivemos um relato nesta semana de um paciente que morreu na fila de transplante no Hospital de Messejana. Tivemos comunicação dos médicos de que, em uma semana, dois corações que seriam transplantados foram inutilizados pela falta de material cirúrgico”, diz a presidente do sindicato, Mayra Pinheiro.


Conforme denúncia, uma doação de coração poderia ter sido suspensa por falta de insumos, ontem, no Hospital de Messejana. De acordo com um funcionário, pela manhã, uma criança que receberia o órgão teve uma infecção, que impossibilitou o transplante. À tarde, segundo a fonte, o material necessário foi reposto. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) negou o fato. Segundo a Sesa, houve só uma doação de coração até as 17 horas de ontem. E, até o fim da tarde, “o órgão estava em processo de captação”. O transplante foi realizado à noite em um adulto.


Na manhã de ontem, na sede do Cremec, representantes do sindicato e do conselho denunciaram a “falta sistemática e generalizada de itens de dispensação hospitalar” em diversas unidades, como no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Ausência de materiais como seringas, catéteres e fios de aço cirúrgico tem resultado na suspensão de cirurgias.


Profissional da área da saúde do Hospital de Messejana relatou que muitos órgãos não chegam nem a serem retirados do doador. “O sistema de captação só é deflagrado quando o checklist é feito, com a confirmação dos equipamentos necessários para qualquer cirurgia cardíaca”, ressalta. Na unidade, ele cita, “faltam compressa, fio de aço cirúrgico, marca-passo, eletrodos de marca-passo, liga clipe para impedir o sangramento dos vasos”.

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De acordo com o profissional, que preferiu não ser identificado, algumas cirurgias têm sido realizadas, inclusive, sem os equipamentos específicos para procedimentos cardiovasculares. “O doutor bem conceituado é o doutor que faz gambiarra”, resume.


Relatórios sobre a situação foram enviados ao Ministério Público Estadual (MPCE). Como O POVO publicou na última segunda-feira, 11, de acordo com o MPCE, o governador Camilo Santana (PT) deverá prestar esclarecimentos sobre a situação.


Sesa


Em nota, a Sesa informou que “a descontinuidade pontual” de insumos médico-hospitalares “deve-se a fatores que envolvem o fornecimento, como realinhamentos de preços, atrasos de entrega, requerimentos de troca de marca por parte dos ganhadores das licitações, além de trâmites burocráticos necessários para dar mais segurança ao processo de aquisição”.


De acordo com a pasta, “as unidades são reabastecidas à medida que insumos e medicamentos são entregues pelos fornecedores”.

 

Denúncias


Hospital de Messejana

Falta de cateteres e fios de aço cirúrgico resulta no cancelamento de cirurgias cardíacas

 

HGF

Falta de papel toalha, aumentando risco de infecção hospitalar, e falta de medicamentos e insumos


Hospital César Cals

Falta de medicamentos quimioterápicos

 

Gonzaguinhas

Falta de medicamentos

 

Frotinhas

Profissionais sofrem agressão nos Frotinhas da Parangaba e da Messejana e há falta de medicamentos

 

Samu

Falta de pagamentos há 90 dias aos profissionais do serviço

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