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DER quer conter avanço de dunas

Moradores e entidades de preservação ambiental defendem que medidas propostas são prejudiciais aos processos naturais e à comunidade

01:30 | 07/12/2017

Com o objetivo de impedir que a areia das dunas da Sabiaguaba continue a se avolumar na CE-010, o Departamento Estadual de Rodovias (DER) apresentou projeto que visa implantar um “barreiramento” eólico. A instalação de anteparos de madeira provocaria o deslocamento da areia das dunas. Para representantes da comunidade da Sabiaguaba e membros de movimentos de proteção ambiental, o projeto deve alterar processos naturais das dunas e atividades tradicionais de coleta de sementes e frutos, além de as intervenções não serem previstas no plano de manejo do parque e no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).  

O projeto-piloto foi apresentado em reunião do Conselho Gestor do Parque de Dunas da Sabiaguaba na manhã de ontem. A votação para decidir se o projeto deve ser implantado ou não será realizada na próxima quarta-feira, 13.  

Geólogo consultor do DER, Gurgel Junior explica que o projeto “trabalha com as areias conforme elas estão presentes tentando ao máximo não modificar em nada no ambiente natural”. “A gente faz anteparos parciais da areia para que ela seja reconduzida em direção parecida com a anterior. Essa areia está indo quase toda para cima da estrada. Vamos reduzir e tentar dar uma estabilidade que existia antes, quando as dunas eram mais bem formadas e o ambiente não tinha sido tão agredido”, detalha. Prejuízos  

Parecer técnico do professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do conselho gestor, Jeovah Meireles, avalia que as intervenções foram formuladas “sem levar em conta os diversos procedimentos técnicos para a gestão adequada da Unidade de Conservação”. Segundo ele, a implantação do projeto desencadearia “impactos ambientais de elevada magnitude” e promoveria “riscos de reconfigurar e descontrolar a geometria natural da duna”, interferindo na dinâmica dos aquíferos e comprometendo a ecodinâmica de manguezais e áreas úmidas. Para o geólogo, o termo “soterramento”, que consta no plano, não deve ser considerado como impacto ambiental negativo atribuído à duna mas “um processo natural controlado pela disponibilidade de sedimentos e competência dos ventos para transportá-los”.

ANA RUTE RAMIRES