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Presos de quatro unidades fazem greve de fome por melhores condições

Em quatro unidades do Ceará há registro de presos recusando comida. Protesto é por melhores condições nas unidades e faz parte de movimento nacional

01:30 | 10/11/2017
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Internos de quatro unidades prisionais do Ceará se recusaram a receber alimentação ontem. Na Casa de Privação Provisória de Liberdade Elias Alves da Silva (CPPL 4), em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza, a greve de fome começou na última terça-feira, 7. Na parte de fora da unidade, ontem, um saco de lixo acumulava centenas de quentinhas que, conforme denúncia de agentes penitenciários, foram jogadas fora após a recusa dos detentos.

 

Segundo a mulher de um preso, eles protestam porque estão impedidos de receber materiais como colchões, ventiladores e aparelhos de televisão de familiares. As visitas também estão suspensas.


A proibição começou, na CPPL 4 após rebelião, há duas semanas. Eles pediam condições menos insalubres. “É um absurdo como eles tratam o ser humano. Meu marido não tem onde dormir”, disse a mulher de outro detento.


Do lado de fora da unidade, ontem, esposas voltavam para casa carregando colchões e ventiladores, sem direito à visita e sem informação. “Eu não tenho notícias dele desde terça. Tô aqui desesperada”, lamentou outra mulher.


Movimento nacional


Presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), Cláudio Justa afirmou que a greve de fome faz parte de um movimento nacional iniciado por facção criminosa que atua em presídio do Rio de Janeiro. Nos estados, o movimento assumiu reivindicações locais.


Os presos pedem, em mensagens que circulam no Whatsapp, a instalação de fábricas nas unidades, itens de higiene como sabonetes, escovas e pastas de dente e a progressão de regime para quem tem direito ao semiaberto.


Além da CPPL 4, no Ceará, o protesto acontece na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, na Unidade Prisional Desembargador Adalberto Barros de Oliveira Leal e na Agente Luciano Andrade Lima.


Em nota, a Secretaria da Justiça (Sejus) diz que alguns internos de quatro unidades recusaram a alimentação ontem. Segundo o informe “não há motivação apresentada para a recusa. As direções estão acompanhando a movimentação para tomar as medidas cabíveis, caso necessário”.

ANGÉLICA FEITOSA

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