PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Praça está há 4 anos interditada para obra parada

Moradores cobram que praça seja liberada. Secretaria da Infraestrutura diz que estuda melhor forma para desmontar o canteiro e que obra será retomada - ainda sem data prevista

01:30 | 14/11/2017

Além da insegurança, moradores do entorno lamentam a falta de espaço para lazer e para a prática de atividades físicas AURÉLIO ALVES /ESPECIAL PARA O POVO
Além da insegurança, moradores do entorno lamentam a falta de espaço para lazer e para a prática de atividades físicas AURÉLIO ALVES /ESPECIAL PARA O POVO
A Praça da Bandeira, conhecida como do Cristo Rei, está interditada há cerca de quatro anos para obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza (Metrofor). Iniciada em novembro de 2013, a intervenção foi paralisada dois anos depois. Moradores das imediações do Colégio Militar de Fortaleza (CMF) reclamam da insegurança no entorno da praça — que está cercada por muros —, da falta do espaço de lazer e da falta de manutenção do local, que acumula entulhos.

“À noite aqui é bem esquisito e inseguro”, se preocupa Daniela Andrade, 42, que mora nas proximidades. “Tem a questão de saúde pública, tem muito lixo dentro que causa o foco da dengue e da zika, além de bichos”, critica. Um buraco no muro permite acesso ao local. Moradores de rua entram por ali para tomar banho e dormir, diz um dos vigilantes do local. 

Pessoas que residem no entorno reclamam da falta de local para lazer e atividades físicas. “A população fica necessitada de uma área para levar idosos e crianças. Foi uma praça muito bonita, mas está jogada às traças. Antes, todo mundo frequentava, tinha atividades físicas para idosos”, relata um senhor que mora na praça há 50 anos e não quis se identificar. 

“Tem roubo, tráfico de drogas, tá muito mais perigoso, não tem nem comparação”, acrescenta o padre Nonato Resende, pároco da Igreja do Cristo Rei, localizada na frente da praça. Segundo ele, reunião no último dia 7 com moradores e fiéis discutiu a situação do equipamento. “Uma comissão foi feita para tentar resolver a situação e termos a praça de volta. A comissão vai marcar reunião com os representantes dos setores responsáveis”, disse. Canteiro de obras 

Procurada pelo O POVO Inicialmente, a assessoria de comunicação da Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra) informou que a praça continuaria ocupada como canteiro de obras e a manutenção do canteiro seria de responsabilidade do consórcio. “As obras foram paralisadas por conta da reformulação societária articulada pelo consórcio Cetenco-Acciona, que executava as obras. O consórcio foi reformulado e teve a denominação e a composição alteradas para Consórcio Metrô Linha Leste Fortaleza, formado pelas empresas Acciona Infraestructuras S/A e Construtora Marquise S/A, que passou a ser a líder do consórcio”, informou a secretaria, em nota. Sobre a morosidade da construção, a secretaria disse ainda que “para retomar a obra, o Governo do Estado tem trabalhado intensamente junto ao Governo Federal para que este libere os recursos garantidos. O novo cronograma só poderá ser restabelecido quando do reinício da obra”.  

A assessoria da Acciona, por sua vez, informou que a responsabilidade pelo local não seria da empreiteira. “Tendo em vista a postergação das obras, esta área foi devolvida à Seinfra até que o projeto seja retomado”, respondeu, também em nota. 

Questionada mais uma vez acerca do impasse, na tarde de ontem, a Seinfra respondeu que “está estudando a melhor forma de desmontar o canteiro de obras da estação Colégio Militar e, assim, devolver a praça aos moradores”. A assessoria não soube responder quando o canteiro será desmontando nem se a praça continuará liberada ou será interditada novamente para retomar a obra.

ANA RUTE RAMIRES