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Homem colecionava serpentes e aves exóticas como hobby em Fortaleza

Em 2003, o mesmo homem tinha sido flagrado criando 250 animais

01:30 | 17/11/2017

Entre os animais localizados nas duas casas, havia oito aves POLÍCIA FEDERAL/DIVULGAÇÃO
Entre os animais localizados nas duas casas, havia oito aves POLÍCIA FEDERAL/DIVULGAÇÃO

Quinze animais, sendo sete serpentes e oito aves, todos não pertencentes à fauna brasileira e em situação irregular, foram apreendidos na manhã de ontem em dois imóveis no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza. Realizada pela Polícia Federal com apoio do Ibama, a operação Malacafita cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 12ª Vara Federal no Ceará. Animais e imóveis são de propriedade de um homem que não teve nome ou idade divulgados. Ele não foi preso — vai responder a processo administrativo.

O POVO apurou que ele é um médico e tem histórico de autuações pelo Ibama. Em 2003, ele já havia respondido a processo administrativo por fazer de uma das casas um criadouro irregular, onde mantinha um “minizoológico” com 250 animais entre répteis, aves e mamíferos.

“A gente recebeu denúncia que dava conta de serpentes estocadas numa casa. Por coincidência, tratava-se da mesma casa de 2003. Com base nisso, a gente começou a investigar quem era o dono da casa, vimos que era a mesma pessoa e ligamos os pontos”, resume Felipe Dias, chefe do setor técnico do Ibama.

De acordo com o Ibama, as investigações preliminares apontam que o objetivo do autuado não era o tráfico de animais silvestres. Ele mantinha os bichos em cativeiro como um hobby.

As sete serpentes apreendidas são da família das pítons, sendo cinco pítons indianas (Python molurus) e duas pítons reticuladas (Python reticulatus). Esses animais são nativos, principalmente, do Sudeste asiático. Já as oito aves são: três tibiras-da-cara-suja, três lóris, um periquito da cabeça preta e um grape parrot.

Segundo o Ibama, o médico vai responder a auto de infração por introduzir no País irregularmente quatro espécies exóticas (R$ 20 mil); manter em cativeiro quatro aves da fauna silvestre (R$ 20 mil); e causar maus-tratos a três serpentes, que eram mantidas em pequenos baldes (R$ 3 mil). No total, ele está sujeito a pagar R$ 43 mil de multa. O recurso do processo administrativo pode ser feito em 20 dias.

Operação

Quanto à operação deflagrada ontem, O POVO perguntou à Polícia Federal se o nome correto não seria Malacatifa, que é sinônimo de cobra ou serpente. A assessoria de imprensa do órgão informou que não houve troca de letras e o nome da operação é Malacafita mesmo.

JOãO MARCELO SENA

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