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Sindicato denuncia casos de violência em mais de 20 escolas

A entidade relaciona os casos à disputa entre facções criminosas. Alunos não podem frequentar aulas em bairros diferentes devido à concentração de grupos rivais. Escola no Jangurussu foi invadida pelo menos quatro vezes

01:30 | 17/10/2017

Objetos ficaram espalhados na escola André Luís, no Jangurussu, após invasão no último dia 8 
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Objetos ficaram espalhados na escola André Luís, no Jangurussu, após invasão no último dia 8 LEITOR VIA WHATSAPP
 

 

Mais de 20 escolas municipais de Fortaleza apresentaram registros de violência no segundo semestre de 2017. O balanço é do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Município de Fortaleza (Sindiute).

Entre as instituições, a Escola Municipal André Luís, localizada no Jangurussu, foi invadida mais de quatro vezes neste mês. A unidade é alvo de suposta ameaça de facção, que causa o esvaziamento das salas de aula. E há relatos de alunos que abandonaram a escola porque não podem frequentar colégio no Jangurussu, por ser dominado por facção inimiga da que comanda o tráfico onde eles moram.

A presidente do Sindiute, Ana Cristina Guilherme, diz que o balanço do sindicato tem escolas, além do Jangurussu, do Conjunto Palmeiras, Barra do Ceará, Jardim América, Praia do Futuro, Serviluz, entre outros. Os casos são relacionados a furtos, roubos, ameaças e ataques relacionados a facções criminosas em disputa por territórios. A maioria dos colégios estão em comunidades, na periferia.

“Estamos entrando com uma ação contra a Prefeitura de Fortaleza pedindo garantia de segurança. Estamos orientando os professores a fazer boletins de ocorrência e pedir indenização. Antes, a comunidade protegia a escola, agora não é mais assim”, lamenta.

Conforme o sindicato, a Prefeitura retirou a segurança armada das escolas, pois os profissionais eram rendidos e tinham as armas roubadas. “Os vigilantes estavam armando o crime. Era um segurança apenas e eles chegavam de dez criminosos e roubavam”, relata.

Ela diz que na escola João Germano, no Conjunto Palmeiras, roubaram 42 celulares de professores. No mesmo bairro, Ana cita que o carro de uma professora da educação infantil foi pichado com a sigla de uma facção criminosa, o que impedia que ela saísse da escola no veículo, pois o bairro concentra uma facção rival. “Se o carro saísse com aquela sigla poderia ser alvejado”, resume.

Segundo nota da Secretaria Municipal da Educação (SME), as escolas localizadas em áreas de maior vulnerabilidade têm serviço de vigilância. As demais têm porteiros diurno e noturno. “As escolas também são assistidas pela Inspetoria de Segurança Escolar da Guarda Municipal (ISE) com 20 viaturas e equipes treinadas, que prestam assistência 24 horas, com patrulhamento ostensivo e rondas diárias. Além disso, está prevista a implantação de um sistema integrado de segurança eletrônica”, informa a pasta.

JéSSIKA SISNANDO