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Novos PMs se tornam alvo de criminosos para roubo de armas

Associação destaca que estágio probatório faz com que os PMs tenham receio de reagir a ações criminosas

01:30 | 31/10/2017
Os novos soldados da Polícia Militar do Ceará (PMCE) se tornaram alvos de criminosos desde que concluíram o curso de formação na Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp). Pelo menos dois incidentes, como tentativa e articulação de roubo a arma dos agentes de segurança, foram registrados, sendo um no sábado, 28, e outro ontem.

 

Segundo a Polícia Militar, na manhã de ontem, na avenida Raul Barbosa, um dos novos soldados foi atacado por um homem armado a faca, que tentou roubar a arma do militar. O policial reagiu e atingiu o assaltante com dois disparos de arma de fogo.


O órgão divulgou, por meio de nota, que o suspeito foi encaminhado à Delegacia da Mulher para os procedimentos necessários, pois, após a ocorrência, a Polícia descobriu que ele teria agredido a companheira.


O POVO apurou que os novos soldados estão distribuídos em grupos de três militares, em bicicletas, nas avenidas Raul Barbosa e Murilo Borges, devido à ocorrência de furtos das grades que cercam o Parque do Cocó. Há também registro de furtos de cabos de cobre na região.


Também na manhã de ontem, um policial militar, que não é um novo soldado, foi atacado durante um roubo. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o agente foi lesionado com disparos de arma de fogo e encaminhado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro. A arma dele foi roubada na ação.


Já no sábado, um grupo armado foi preso e, nos aparelhos celulares apreendidos, foram encontrados diálogos articulando roubos contra os novos policiais. O POVO havia noticiado que na última terça-feira, 24, primeiro dia dos novos militares nas ruas, um soldado foi vítima de um assalto quando voltava para casa. Uma orientação da PM foi repassada para que os novos militares evitassem o uso de fardamento no trajeto de ida e volta do quartel.


Associações


Para o presidente da Associação dos Profissionais da Segurança (APS), Reginauro Sousa, o policiamento a pé é uma modalidade delicada na segurança pública. “O policial está em desvantagem. O criminoso está de moto, está de carro. Ele pode estudar os locais onde os policiais estão e ir lá para roubar a arma. Eles sabem que esses policiais são jovens e pode existir esse sentimento que é mais fácil, mas eles (PMs) são treinados”, reforçou.


Reginauro também chamou a atenção para a tentativa de roubo praticada contra um policial que acabou de entrar na corporação, pois ele está em estágio probatório. “Temos dificuldade na legislação para disparar. Ele vai responder processo”, disse.


Reginauro afirmou que isso faz com que o PM fique vulnerável a ser ferido ou morto em uma ação de roubo. “O policial tem o receio de disparar em via pública. O criminoso jamais vai temer ou se preocupar se vai atingir um inocente”, ressaltou o gestor da APS.


Reginauro defende que é necessário o uso de viaturas e rever os postos de serviço destes profissionais, pois áreas nobres, como a Aldeota, o Papicu e a avenida Beira Mar, por exemplo, também são propensas a ataques.

JÉSSIKA SISNANDO

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