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Motivos que afastam crianças e adolescentes da escola

Razões para jovens deixarem a escola em geral estão além da educação e passam por necessidade de trabalhar, gravidez na adolescência, falta de moradia, problemas familiares e até envolvimento com o crime

16/10/2017 01:30:00
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Morando com a família em barraco à beira de movimentada avenida de Fortaleza, uma menina de dois anos de idade aprendeu os sinais da violência. Basta escutar estalos consecutivos para advertir: “Mamãe, bala!”. Sua mãe, de 31 anos, acredita ser “essa vida” a principal causa para crianças que moram na rua crescerem “tudo revoltada”. Por isso, esforça-se para manter a filha e o irmão de seis anos numa escola municipal. Para que, com estudo, eles possam ter destino melhor do que o que ela teve ao deixar a educação ainda na 8ª série.


Inexistência ou mudança de moradia, disfunção familiar, aliciamento para o crime, inserção precoce no mercado de trabalho, gravidez, repetência, exploração sexual. São múltiplas as circunstâncias que distanciam crianças e adolescentes da escola. Por isso, estratégias para fazer com que esses jovens permaneçam estudando têm de ser diversas, também.

[SAIBAMAIS]

Já são conhecidas e aplicadas iniciativas para tentar sanar cada uma das condições para o abandono e, consequentemente, à evasão escolar.

Por exemplo: bolsas de estudo remuneradas, geração de emprego para familiares, palestras de conscientização e programas de assistência a adolescentes grávidas, acompanhamento de rendimento e frequência, visitas aos lares, maior oferta de ensino integral, combate à violência.


Mas, para que o resultado seja duradouro, nenhuma ação deve ser tratada de forma isolada, principalmente se considerar que um único aluno pode estar diante de todos esses obstáculos de uma só vez.

“Educação, saúde e assistência social. Essas três instituições têm de trabalhar juntas”, recomenda Rui Aguiar, coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Ceará.


Busca ativa


Com apoio do Unicef, as gestões públicas do Ceará e de Fortaleza buscam mapear estudantes que abandonaram ou que se evadiram da escola para, a partir daí, traçar estratégias para trazê-los de volta ao amparo do ensino. Paralelamente, pesquisa mais minuciosa procura crianças que nunca chegaram a ser matriculadas.


“Quando a gente fala em ‘busca ativa’, fala em buscar crianças de quatro e cinco anos que estão fora da educação infantil, meninos e meninas de seis a 14 anos que têm idade para estar no ensino fundamental e aqueles que concluíram o fundamental e, por alguma razão, não concluíram o ensino médio”, detalha Rui.


Na rede municipal, foram identificados 2,7 mil estudantes que concluíram o ano letivo em 2016 e não retornaram para a escola este ano. Conforme mapa da Secretaria Municipal da Educação, os bairros da Capital que mais sofreram abandono escolar foram Barra do Ceará, Jardim Iracema, Mucuripe, Bom Jardim, Granja Lisboa, Passaré e Sapiranga.


O Município conseguiu, em oito anos, reduzir seus índices de abandono de 12% para 2%, de acordo com a gerente de dados educacionais da SME, Iracema Frota. “Acontece conosco, principalmente, no ensino fundamental 2, nas séries terminais”, admitiu.

Adriano Nogueira

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