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Morte de Delmiro Gouveia completa 100 anos

Assassinato de empresário cearense nunca foi esclarecido pela história. Visão nos negócios e coleção de "inimigos" marcaram trajetória

11/10/2017 01:30:00
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A morte de um dos maiores nomes do empreendedorismo do Nordeste fez 100 anos. No dia 10 de outubro de 1917, Delmiro Gouveia foi assassinado em Alagoas. Mais precisamente na então cidade de Pedra, hoje batizada Delmiro Gouveia em homenagem ao cearense. Um século depois, no entanto, o assassinato do homem nascido em Ipu em 1863 segue sem ser esclarecido. Isso porque eram vários os que poderiam ter algum tipo de interesse na morte dele.


Na época, Delmiro ampliava a fortuna com uma próspera indústria de linhas para o ramo têxtil. O sucesso gerava insatisfação de um truste (reunião de várias empresas) britânico que dominava o mercado de exportações na América Latina.


Havia ainda disputas com oligarquias em um acirrado ambiente político. Tanto em Alagoas quanto em Pernambuco — onde morara anos antes e saíra em razão de desavenças com o poder local.


“Ninguém sabe exatamente o que estaria por trás da morte. A hipótese do truste sempre foi enaltecida por grupos nacionalistas. Esse embate contra o capital estrangeiro. Não há versões claras do que ocorreu”, explica o professor e historiador Aírton de Farias.


As circunstâncias incertas quanto à sua morte, assim como a fortuna que acumulou, criaram uma espécie de mito em torno de Delmiro. A visão do cearense para os negócios lhe rendeu a alcunha de Mauá do Sertão, em alusão ao também industrial Barão de Mauá.


Além da fábrica de linhas, Delmiro construiu, em Paulo Afonso, na Bahia, uma pequena usina hidroelétrica, a segunda do Brasil. “O Delmiro Gouveia teve também muito apoio governamental antes da perseguição. O que não diminui a capacidade dele, que sempre foi muito inteligente e ousado. Não é fácil construir uma fábrica no sertão de Alagoas no início do século XX”, complementa Aírton.


Primeiro shopping


Natural de Ipu, Delmiro se mudou ainda criança para Pernambuco, onde, quando adulto, começou a fazer dinheiro com a exportação de peles de cabras e ovelhas. O sucesso veio acompanhado da visão empresarial ao fundar, em 1899, o Centro Comercial do Derby, considerado o primeiro shopping center do Brasil. O local foi incendiado um ano depois. A principal hipótese é que o fogo tenha sido ateado, de maneira proposital, por inimigos do próprio governo pernambucano.

João Marcelo Sena

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