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Família mora há dois meses em casa sem paredes na Antônio Sales

Um sobrado onde funcionava o escritório de um estacionamento abriga hoje a família. Regino, a mulher dele, os filhos e a nora se revezam na missão de vigiar os pertences

01:30 | 24/10/2017

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Os restos de um sobrado que, antes, era o escritório de um estacionamento, fazem as vezes de moradia para o pedreiro Regino Serafim da Silva, 40, mulher, filhos e nora. Faltam paredes, alicerces, privacidade e segurança. Abertos para a avenida Antônio Sales, os cômodos que ficaram no número 817 abrigam a família há dois meses.


“A gente veio pra cá porque me chamaram para erguer um prédio aqui e eu moro muito longe, no Maracanaú”, justifica o pedreiro, dizendo que as passagens são muito caras (R$ 3,20). É menos custoso de tempo e dinheiro, assim, morar direto no emprego.

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Prédio comercial está sendo erguido no terreno da casa. De boné para se proteger do sol, Regino conta que o trabalho não tem prazo para finalizar. Sabe é que, por enquanto, é nessa casa que a família cozinha, come, dorme, toma banho, passa o dia.


“Se a gente sair daqui, tem perigo de o ‘dono’ vir e pegar o que é nosso”, conta Carlos Mendes, 22, servente de pedreiro na mesma obra e filho de Regino. O jovem já teve o celular roubado na casa. O imóvel, precisa, então, passar todo o dia ocupado. As roupas são guardadas em caixas. Entre os poucos móveis, fica uma bola. “No fim de semana, a gente divide quem vai na praia jogar”, avisa.

 

Localização


Regino conta que a mulher, a empregada doméstica Ivonete, 45, não achou ruim a localização privilegiada na Cidade. Ela trabalha na rua quase de frente à casa e, agora, vai a pé, todos os dias, para o serviço. Os filhos, a nora, e um irmão que trabalha com Regino dormem na parte de cima do sobrado. O cômodo de baixo é reservado para o pedreiro e a esposa.


Casa aberta


O apelido da moradia como Casa de Vidro, em referência do programa Big Brother Brasil, não foi em vão. João Victor Duarte, 16, filho de Regino, conta que, antes de morarem lá, o escritório era protegido por uma parede de vidro e, o terreno, com grades. Agora, com as obras, já roubaram os vidros e a casa fica aberta para a avenida. “Aqui a gente dorme com um olho aberto e outro fechado. Tem que ser assim”, resume.


Um carrinho feito da sucata de uma geladeira, desses usados por catadores de lixo, fica no “quintal” da casa, com a inscrição ‘Jesus é fiel porque é amor’.

ANGÉLICA FEITOSA

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