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Jornal

Execução de menina de 13 anos é decidida em grupo de WhatsApp

Um jovem de 18 anos foi detido e dois adolescentes de 17 anos foram apreendidos suspeitos da morte de Maria Edwirges, de 13 anos. No celular deles, Polícia encontrou troca de mensagens que decidiu o assassinato da menina

06/10/2017 01:30:00
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O futuro da menina Maria Edwirges, de 13 anos, moradora da comunidade do Pau Fininho, no Papicu, foi decidido por integrantes de organizações criminosas em um grupo de WhatsApp. A adolescente foi assassinada na última quarta-feira, 4. O crime foi motivado pela suspeita de que a menina estaria se aproximando de um grupo rival. Igor Lima Lopes, 18, foi preso em flagrante suspeito do crime. Além dele, dois adolescentes de 17 anos foram apreendidos. O crime foi elucidado pelo serviço reservado do 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM).

 

No celular apreendido com o trio, a Polícia encontrou a troca de mensagens que resultou na decisão de matar a adolescente. Em áudios, é possível ouvir o choro de Edwirges. Os participantes chegam a debochar das lágrimas da garota e a culpam pelo fato de demonstrar medo.


Ao comunicar que estava com a menina, um dos integrantes questiona no grupo se ela era realmente a jovem que eles procuravam. Eles a acusam de ter repassado informações sobre a organização para o grupo rival. Uma foto de Edwirges é enviada para ajudar na identificação. Numa segunda imagem, a menina já aparece com o olhar assustado, como se estivesse na escuridão, surpreendida pelo flash da foto. Imediatamente, os áudios se multiplicam, com mensagens ordenando a morte.


O mesmo homem que está com Edwirges — que já foi identificado pela Polícia, mas ainda não foi capturado — comenta a preocupação em manter a menina viva, em cárcere, na comunidade do Pau Fininho, por ser próxima do 22º BPM. “Mato ou não? Aqui no Pau Fininho é embaçado. O 22º Batalhão é aqui do lado”, alerta.


O homem pressiona para que confirmem se ela é realmente a garota “decretada” para morrer. E deixa claro que decidiria ali pela soltura ou execução. Ao vasculhar o celular de Edwirges, ele diz ter identificado um possível envolvimento dela com o grupo rival. As mensagens pedindo pela execução se multiplicam. “Nós estamos olhando o celular dela aqui, né? Tem as coisas tudo do (cita nome da facção) aqui. Vai ser sal pra ela. Nós vamos matar ela”, decreta o executor.

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A vida de Edwirges foi decidida em poucos minutos. O corpo dela foi encontrado na rua Joaquim Lima, esquina com rua Doutor Francisco Matos, no Papicu, com ferimentos a bala e perfurações a faca.


O serviço reservado do 22º BPM, sob a coordenação do major Hideraldo Beline, efetuou a prisão de Igor e a apreensão dos dois adolescentes. Com eles, foram apreendidas três armas de fogo (dois revólveres e uma pistola calibre 380), drogas e balança de precisão. Outros suspeitos foram identificados. O grupo foi levado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).


Outros casos


Barra do Ceará.


No último dia 17 de setembro, Karolina Morais de Melo, 23, e Luziara Rodrigues dos Santos, 16, foram encontradas mortas, com os cabelos raspados, pichações por todo o corpo e marcas de espancamento. Um grupo foi preso suspeito do crime, que foi motivado por uma discussão em um ônibus, relacionada a facções.

 

Jangurussu.


No dia 26 do mês passado, a Polícia Militar encontrou um apartamento, na comunidade Babilônia 2, com pedaços de corpos e marcas de sangue. No apartamento, pessoas seriam "julgadas", executadas ou mutiladas, de acordo com o tipo de "infração" que praticassem.

 

Granja Lisboa.


Antônio Rodolfo Silva de Sousa, 26, Eduardo Cavalcante da Silva 26, e um homem sem identificação, foram encontrados mortos na última quarta, amordaçados e com mãos amarradas, em um campo de futebol.

Jéssika Sisnando

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