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Confira entrevista na íntegra com André Costa

10/10/2017 01:30:00

O POVO –A SSPDS investe no combate às organizações criminosas, mas há hoje alguma política pública de segurança efetiva para além das megaoperações?

André Costa – A gente tem açõesde curto, médio e longo prazos. Não podemos pensar a SegurançaPública só um palmo à frente. As de longo prazoestão no contexto do CearáPacífico, a exemplo da Uniseg do Vicente Pinzón que, inclusive, quando você observa o crescimento dos homicídios na Capital, entre as AISs, é aquela que apresenta o melhor, ou menos pior, resultado. Em crescimento percentual, é aquelaonde temcrescido bem menos que as outras áreas. Temos esse projeto em longo prazo. Agora,será trabalhado também o território do Bom Jardim e do Interior do Estado, em Caiçara, Sobral. São ações de prevenção social, com políticas do Governo, com asprefeituras implantando escolas de tempo integral, aprovando editais na área de cultura e esportes, como as areninhas, que serão interiorizadas. Inverte-se a lógica de impor ações à comunidade local.Antes, você entrava com um projeto e levava para todo lugar do Estado. Agora, não. Nesses territórios, primeiro a equipe da vice-governadora (Izolda Cela) vai até o local, dialoga com as lideranças da comunidade esabe qual o desejo, a expectativa, o perfil, o que eles querem e mais valorizam. Por exemplo, no Vicente Pinzón, eles têm um projeto na área de dança e música africana, axé. Já no Vila Velha, percebi que os jovens gostam muito do reggae.Não adianta chegar no Vila Velha e impor um projeto do Estado todo de música baiana, africana. Tudo isso é trabalhado em longo prazo. Isso é importante por conta dessa questão da presença das facçõesnesses territórios. Elas conseguem se fazer presente. E o ser humano, em qualquer área, precisa ter o sentimento de pertencimento a um meio social. Mas para população dessas comunidades, nesses conglomerados subnormais, a gente vê que o poder público não chega. Ele praticamente só chega com Polícia. Eles são carentes de outras áreas do Poder Público. Em tudo. A gente vê áreas como essas que, pela ausência quase que absoluta, ou pela carência, de ações sociais do Estado, essas pessoas acabam não tendo esse sentimento de pertencimento à sociedade. E aí se abre uma lacuna, e alguém chega nesse ponto para preencher essa lacuna. Alguém que oferece alguma vantagem para as comunidades.

OP - Esse recrutamento está mais intenso agora, por conta dessa guerra entre as facções?

Costa –Acho que na hora em que você acirra uma disputa, começa a correr atrás. Aumenta a demanda por pessoas que estejam do seu lado. Mas esse é um processo que já vem de alguns anos, não só no Ceara. Em todo o País.Realmente, essas facções, que nasceram fora do Estado, se alastraram por todo o País. E a gente sabe o seguinte: por mais que a gente faça um combate eficiente sobre as facções e lideranças locais, a questão toda não vai se resolver porque não depende só do Ceará. Como essas facções são nacionalizadas, a resposta tem que vir a nível nacional também. Porquesevocê prende todo mundo,colocatodomundo na prisão, consegue isolar essas pessoas, essas facções vão continuar existindo. No Piauí, no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco. E em algum momento eles vão querer voltar para o Ceará. É um Estado visado, que cresce muito, econômica e financeiramente, e esse crescimento desperta interesse dessas facções. Na medida em que o Estado cresce, as pessoas têm maior poder aquisitivo e aí eles movimentam o crime, principalmente, em cima do tráfico de drogas. Eles veem um mercado consumidor para oproduto deles.

OP - Mas isso se agravou com o avanço dessas facções?

Costa -O que aconteceu esse ano não é exclusivo do Ceara. Não foi com a minha chegada. Independentemente da minha chegada, é um processo que vinha acontecendo. Esse acirramento que houve passou a acontecer na mesma época. Não foi só aqui, de dezembro para janeiro. Foi em todo o País, praticamente. A gente vê estados como Santa Catarina, com IDH alto, rico, que cresce na questão social, mas você a questão das facções lá. O prédio do Governo foi atacado. Isso preocupa, requer um debate. Não qualquer debate. Requer um grau de profundidade. Não se achar que a solução a gente vai achar do dia para a noite, em curto prazo. Houve a coincidência, quando eu cheguei. É um desafio que não só o Ceará, como vários estados do País, nunca tinha enfrentado antes.Talvez São Paulo e Rio de Janeiro tenham enfrentado algo parecido no passado.

OP - Em 2016, quando houve as alianças, houve queda dos homicídios no Ceará, após outra redução, de 2015. O governo negouque os pactos tivessem contribuído no resultado. Hoje, com o fim da trégua, se atribui a alta dos homicídios à guerra. Não há um contrassenso nisso?

Costa –Em relação aos anos anteriores, desconfio que não se dissesse que havia uma trégua, até porque, mesmo com redução, houve meses com dez, 11 homicídios, em média, por dia. Não sei até que ponto se pode defender que havia uma trégua, com um número tão alto de homicídios. Mesmo reduzindo, dez homicídios é uma média muito maior que muitos estados do País. Não diria bem uma trégua. Hoje há um acirramento. Já havia um acirramento? Havia. Mas,neste ano piorou e o aumento não é só no Ceará.Pernambuco era um modelo para todo o Nordeste, talvez para o País. Um estado que em que vinhamcaindo os homicídios, mês a mês, há praticamente uma década, por uma politica adotada lá. Esse ano, na taxa de 100 mil habitantes, pelo menos no primeiro semestre, está um número acima do nosso. Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, têm uma taxa pior que a do Ceará. Só para contextualizar que o problema não é estadual ou local.

OP - A política de Pernambuco também foi implantada no Ceará. Inclusive, é creditada a ela essa redução que houve no Estado. Houve, portanto, uma descontinuidade nessa política? Lá se atribui a alta a essa descontinuidade.

Costa – Este ano houve um crescimento alarmante lá, no índice de homicídios, e fora da curva, que era decrescente, ano após ano. No Ceará, a gente vinha numa curva decrescente há apenas dois anos. Não como Pernambuco, que vinha consolidando. O caminho para melhorar a questão da segurança, que é o exemplo de Pernambuco, é investimento no social, o óbvio. Os estados, união e municípios têm que fazer o óbvio. Oferecer todas as condições para as comunidades, pessoas, oportunidades. Hoje o grande problema é o jovem. Ele deve estar na escola o dia inteiro, ter locais públicos que possam ser utilizados adequadamente. Areninhas, praças, enfim.Esse é o caminho, mas a gente vive hoje um momento no País em que o caminho que sempre se buscou precisa ser reanalisado diante desse cenário, que é novo. Esse fenômeno, a nívelnacional, nunca foi visto. O País nunca passou por uma crise de Segurança Púbica como passa hoje.A gente vive num País que vive uma crise ética de valores. Isso resulta numa crise política, traz uma crise econômica e todas essas crises acabam desaguando numa crise da Segurança Pública. A gente atua muito mais nas consequências que na causa.Um País em que as pessoas não se sentem pertencendo à sociedade, não confiam mais nas autoridades, nas lideranças.Lembro-me de um caso que foi preso um caro roubando e junto dele estava o currículo dele. Davaa impressão de que ele estava buscando emprego. Mas, na dificuldade,acabava entrando na criminalidade.

OP - Sobre o programa, o senhor acredita que houve um esvaziamento por parte dos outros atores? Não é hora de falar numa repactuação?

Costa – Essa pactuação que faz parte dessa politica que é o Ceará Pacífico é algo que nunca se foi pensado no Estado. Adotar uma política de Segurança Pública que tivesse como foco as ações de prevenção social. É difícil o próprio gestor da Segurança Pública ter esse olhar. Precisa ter interlocução com outras secretarias. Às vezes, se tem um projeto na área de Esportes, mas precisa saber onde vai alocar esse recurso, quais as áreas mais carentes, onde precisa mais. Acho que, nesse aspecto, a políticaestá num processo de construção. É um aprendizado, realmente. Completou um ano em marçoda implantação do primeiro território do Ceara Pacífico, que foi no Vicente Pinzón, e a genteestá no processo de trabalho do segundo território, que deve ser implantado ate o mês de novembro.

OP – Mas e os outros atores? A prevenção, de fato, está ocorrendo?

Costa – É difícil. Sempre se trabalhou assim: a Seduc tem o seu trabalho, a Secretaria dos Esportes tem o seu, a de Saúde tem o seu e a da Segurança tem o seu. E você passar a ter ações integradas é algo novo aqui no Estado, essa transversalidade. Isso é questão histórica, cultural. É algo que realmenteestáprogredindo. Agora, é no ritmo que se precisa? Não vou nem falar que se quer, já que a gente está falando de SegurançaPública, e é necessidade, não é desejo. Então, é no ritmo que se precisa? Aí, talvez, não. Por isso, demanda uma mudança de cultura.

OP – Mas não é só de Órgãos de Governo. Tem o Judiciário, Ministério Público, prefeituras...

Costa – Hoje eu vejo como fundamental o papel dos municípios. O papel das prefeituras, com o zoneamento, ocupação dos territórios, crescimento ordenado, iluminação, buracos...O carro transita devagar e o bandido se aproveita para praticar crimes. O bandido vai onde acha mais fácil. É mais fácil lugar mal iluminado, praça mal cuidada, que ninguém está usando.Só o usuário de drogas.E nessa parte entra o papel da prefeitura.Mas o MP e Judiciário também. A crítica que faço é como faço ao nosso trabalho.O trabalho da Polícia precisa melhorar, assim como o MP e Judiciário. Os culpados somos todos nós. Todos somos culpados. Todos temos nossa parcela de culpa e, naquilo que dá certo, todos temos nossa responsabilidade. Todos estamos cientes e por isso que temos buscado novas soluções, a exemplo do Tempo de Justiça, dentro também do Ceara Pacífico. É um reconhecimento de todos. Todos precisamos melhorar nossos serviços e trabalhar sempre na busca de novas soluções.

OP - Trazendo para a Segurança, muito se fala em qualidade dos inquéritos da Polícia Civil. Dentro do Em Defesa da Vida, havia o projeto de transformar pelo menos 25 delegacias da Capital em unidades 24 horas. O que foi feito disso?

Costa –O que foi projetado, inicialmente, com a minha chegada, mostrei ao governador, e ele acatou a minha sugestão, foi que eu não achava interessante essas 25 delegacias. Funcionando 24 horas na Capital. Com base na minha experiência, já fui policial civil aqui na Capital, por dois anos fui escrivão e vivenciei isso, ninguém me ensinou - pelo projeto inicial, você teria as 25 delegacias 24 horas. E como elas são formatadas hoje: você tem uma equipe no expediente e quatro ou cinco no plantão, para que ela rode 24 horas. Só que essas equipes, que são plantonistas, têm um trabalho quase que integralmente reativo. Você fica na delegacia e espera as demandas da Polícia Militar chegarem. E, normalmente, não é uma generalização, claro, esses policiais não têm o envolvimento com o trabalho da Polícia Civil. Eles não têm o dia a dia. Vão lá, tiram o plantão, não dão continuidade nas investigações, fazem o flagrante, o TCO, depois passa para o expediente e no outro serviço começam tudo do zero. Não têm o envolvimento com investigação criminal na região. Fizemos o ajuste para que a meta não fossem as 25 delegacias. Hoje, temos nove. A gente pensa em, no máximo,dez delegacias plantonistas na Capital. E isso vai depender da demanda. Se tiver muita ocorrência da PolíciaCivil, se a gente vir que está tendo demorando o atendimento das delegacias. Essa é a mudança. Ao invés e de ficar uma equipe no expediente e cinco no plantão, a gente fica com duas ou três no expediente, no dia a dia, trabalhando com investigações. A gente ganha muitomais assim. Policiais que se envolvam em trabalho de investigação, não só reativos, mas proativos. Combatendo a impunidade e a prática de novos crimes.

OP – Mas não há como ela não ser proativa funcionando 24 horas e investigando os flagrantes que ocorram durante o plantão?

Costa – É difícil por isso. Na prática, você tem uma equipe de plantão e chega ocorrência da PM. Ela não poderá sair. Vai ter que receber a ocorrência. O cidadão sabe que a delegacia do bairro dele está aberta. Se ele procura, vai ter que ter policiais ali. Então, agente, na verdade,ganha mais, creio eu, claro que isso é algo a ser discutido, a gente ganha muito mais aumentando as equipes no expediente, na investigação.

OP – Sobre facções, como é o trabalho de acompanhamento de vocês?

Costa –Desde que cheguei, há uma busca por maior integração. O trabalho de inteligência, até dentro da Secretaria, ainda não era muito integrado, unificado. Por isso,fizemos algumas mudanças também em todas as inteligências, tanto na Coordenadoria de Inteligência como nas vinculadas, para que a gente buscasse uma maior integração, não só aqui dentro, mas também com a própria CGD. Havia uma resistência, é claro. Um órgão que é controlador, que faz esse controle interno, mas, por vezes, realmente temos a participação de policiais em crimes e não podemos fechar os olhos para isso. Temos que tomar uma atitude e precisamos da CGD para isso. Uma busca maior por umaaproximação com a inteligência da Sejus, porque sabemos que, em muitos crimes, continuam partindo as ordens dos presídios. Inclusive, acontece de, nas nossas operações, quando a gente cumpre os mandados, parte deles são para pessoas já presas. Integração também com a Polícia Rodoviária Federal e a própria Polícia Federal, além o Gaeco, do Ministério Público. Hoje, temos uma inteligência mais integrada. Hoje temos um mapeamento. Estamos nessa etapa de identificar quais são as facões, onde as fações atuam, e quem atua nelas em cada território e células. Quem está nos presídios e quais são as conexões entre eles. Esse trabalho demanda tempo, esforço, continuidade na interação.

OP – A SSPDS contabiliza quantos crimes com emprego de tortura foram praticados por essas facções?

Costa – Não, não temos uma estatística específica disso. Depende da alimentação do sistema.

OP – No levantamento que fizemos, grande parte desses crimes ocorre na região da Barra do Ceará. Aquela região é a que mais preocupa.

Costa – Não temos dados, mas são recorrentes esses crimes naquela região. Mas descobrimos que 80% dos homicídios e outros crimes ocorrem em 40% do território da cidade. Identificamos 15 áreas, que denominamos de satélite, e são áreas que realmente têm uma alta incidência de crimes. Estamos focando nessas áreas e duas delas estão lá, na região da Barra. Não são áreas estanque, pois na medida em que o crime migra de região, ela vai sofrer alterações também. Foi feito um trabalho manual, por um pesquisador. Abrimos a base dados nossa e ele fez esse trabalho. Em cima das manchas criminais, ele traçou as áreas, identificou pontos, ruas e avenidas onde esses crimes se repetem e se traçou uma rota de policiamento que varia, caso queira manter a ordem, patrulhar ou saturar. Isso tudo guiado pela mancha. O pessoal da UFC instalou uma inteligência artificial para que o trabalho que o pesquisador fez, manualmente, o computador faça sozinho, com base nas ocorrências. Vai atualizando a mancha e redefinindo essas rotas, evitando a falha humana.

OP – Os casos de famílias expulsas das comunidades pelo tráfico são acompanhados por vocês?

Costa –Às vezes, as pessoas têm o receio de comunicar e formalizar, mas sempre chega ao conhecimento, pelo trabalho da inteligência, tanto de expulsão de família e escolas. Eles não querem que pessoas de uma área, mesmo não sendo envolvidas, ingressem naoutra. Estamos nesse trabalho de identificar quais são as facções e as áreas onde atuam.

OP – Esse não é o tipo de informação que deveria ser compartilhada com os demais órgãos do Ceará Pacífico, para que essas pessoas recebam o mínimo de amparo social?

Costa – Quando se entregam essas moradias, em muitas áreas, é feito um cadastro social. Em tese, cada unidade era para terdeterminadas famílias morando. E têm pessoasque não estão cadastradas e estão morando lá porque entraram em desacordo com o processo de contratação. Eles entram no condomíniodesautorizadamente, porque são criminosos, e esses acabamtirando as pessoas que seriam os legítimos possuidores ou proprietários dessas unidades.

OP – Então isso tudo fica com apenas com aPolícia Civil?

Costa- Sim, tudo fica centralizado na Draco. Pontualmente, é insuficiente a gente trabalhar em questões pontuais. Porque até que ponto essa família expulsa, mesmo com investigação, com tudo, vai querer voltar? Então, a gente precisa pensar em nível mais macro. Todas essas situações, de local onde estão atuando, em escola, nessas moradias, pichações, onde espalham mensagens em redes sociais, tudo isso está sendo mapeado. É objeto de investigaçãopara que seja dada uma resposta macro e não pontual. Por isso, demanda tempo.

OP – A gente apurou que a facção GDEtem ganhado pessoal e território. Essa realidade é apontada no trabalho de vocês?

Costa –A GDE é a única que surgiu a nível local. Não só aqui no Ceará. Estive na Bahia, no encontro dos secretários, e tem uma facção que surgiu na Bahia (Bonde do Maluco). É a mais numerosa. Talvez pelo fato de ser do próprio local, ela consiga ter um número maior de pessoas. Não tenho um dado concreto. Até aquele que foi divulgado, que o MP de São Paulo divulgou (que o Ceará seria o segundo Estado do País em número de filiados do PCC) não é concreto, porque a fonte são os próprios faccionários. Cada um alegou que teria 500, 1.000, 2.000 membros. Então, há essa dificuldade. Mas a gente tem uma forma hoje de precisar melhor esses números e está sendo trabalhado. Dá para garantir que está sendo feito isso.

OP – Boa parte das suas medidas como secretário é voltada para o público interno, para as polícias. Isso o coloca como possível candidato nas próximas eleições?

Costa –Tenho 14 anos como delegado da PF, fora os dois anos de Polícia Civil, sempre chefiando equipes, maiores ou menores, e sempre a minha forma de trabalhar foi valorizar as pessoas que trabalham comigo. E eu não podia fazer diferente ao chegar aqui. Meu trabalho não é guiado por A ouB, fazendo contraponto a alguém. Não faço isso. Tenho uma forma de trabalhar aquilo em que eu acredito. E o que acredito é na valorização do profissional. Não sou eu que vou estar lá na ponta da lança, no Pirambu e no VilaVelha, todos os dias, para garantir a segurança das pessoas. São os nossos policiais. Então, acredito em uma ordem inversa. Sempre se pensou que quem estálá em baixo tem que servir a quem está lá em cima, masacredito no contrário. Quem está lá em cima tem que servir quem está lá em baixo. Mas servir não é ser refém ou escravo deles. É servir no sentido de pai e filho. Eu não faço o que policial quer, mas faço o que ele precisa. A gente identifica quais são as necessidades deles e procura trabalhar para melhorar. O policial precisa ter armamento acautelado, sair de casa e voltar com sua arma e colete, de acompanhamento psicológico, de assistência jurídica gratuita, tanto que a gente criou o conselho dos policias. A gente identifica essas necessidades. Acredito que se a gente conseguir motivar e darmelhores condições de trabalho, ele vão fazer melhor ainda pelas pessoas. É algo que sempre acreditei. Cheguei com intuito de trabalhar dessa forma. De dar exemplo também, quando vou às ruas atender, dar atenção às pessoas. Sempre me mostro nessa situação de servir às pessoas, para que eles vejam que, se o secretário está ali, e sobe nos ônibus e cumprimenta as pessoas, e conversa, porque qualquer que seja o policial não pode fazer o mesmo? Eu sempre me considerei e considero policial. É a profissão que abracei e amo. Hoje estou de terno porque vim de um evento. Mas não à toa gosto de usa farda, participar de operação. Gosto de estar com uma pistola do meu lado. Se estou na rua, fico no celular, olhando para ver se aparece algum carro roubado perto, pelos sensores. É isso que gosto de fazer. Não tenho plano para outra coisa. Se o governador realmente for candidato à reeleição, e ele permanecer, meu intuito é poder continuar colaborando coma segurança. Acredito que posso fazer muito mais pelo Ceará na Secretaria da Segurança do que em qualquer outro lugar.

OP – Mas não descarta. Ou descarta?

Costa –Meu interesse é esse: continuar na secretaria. Dois anos é um prazo curto, é poucotempo para várias ideias e projetos que estão sendo trabalhados. E toda construção demanda muito trabalho, muito esforço e tempo também. Nesses nove meses, a gente conseguiutrazer tanta novidade, tanta coisa nova, mas ainda é pouco tempo para tudo que a gente pretende fazer. Meu intuito é esse, continuar no mesmo trabalho, me dedicando à tropa, atendendo as pessoas, em contato direto com os policias. Tentar realmente. Se algo não der certo, vamos fazer diferente. E se der certo, vamos insistir.

OP – Mas está descartado ou não?

Costa – Da minha parte está descartado. Não serei candidato.

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