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Lufthansa envia engenheiros para desmontar Boeing histórico

Avião sequestrado por terroristas, que veio parar no Pinto Martins, começa a ser desmontado em Fortaleza

01:30 | 12/09/2017

Engenheiros e técnicos da Lufthansa estão desmontando o Boeing 737-200, no Ceará. Ele seguirá, até o fim do mês, para Alemanha ARTUR COSTA LIMA/SALCO LOGISTICS
Engenheiros e técnicos da Lufthansa estão desmontando o Boeing 737-200, no Ceará. Ele seguirá, até o fim do mês, para Alemanha ARTUR COSTA LIMA/SALCO LOGISTICS

 

A última viagem do lendário Boeing 737-200 da Lufthansa, sequestrado em 1977 por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina/Baader-Meinhof, e que virou sucata em um cemitério de aviões no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, está prestes a acontecer. Há duas semanas, uma engenheira e pelo menos 11 engenheiros/técnicos alemães realizam um minucioso trabalho de desmonte da aeronave para transportá-la à cidade de Friedrichshafen, na Alemanha.

 

O 737-200, de 47 anos e medindo 30,5 metros de fuselagem, será transportado por um cargueiro russo. Pelo mais gigante ainda, Antonov An-225 Mriya ou pelo An-124 Ruslan. Estes são os maiores aviões de asa fixa do mundo, com 84 metros de comprimento e capacidade para carregar até 640 mil quilos.

Segundo Hans-Jurgen Fiege, cônsul Honorário da Alemanha para o Ceará/Piauí/Maranhão, a operação foi montada pela Lufthansa Técnica e pelo Governo Alemão. Os trabalhos de desmontagem devem durar até o fim deste mês. Mas, em casos envolvendo um Boeing 737, o processo pode se estender por até oito semanas de acordo com Air Salvage Internacional, empresa inglesa com experiência nesse tipo de desafio.

Parafuso por parafuso

Amanhã, 13, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witshel, estará em Fortaleza para verificar os trabalhos e assistir à desmontagem de uma das asas do Lufthansa PT-MTB. A visita será aberta à imprensa brasileira e estrangeira.

Até aqui, os técnicos “esvaziaram” o avião. Ou seja, removeram combustível, gases e fluídos que ainda estavam dentro dos tanques e em outros sistemas do Boeing.

Também já retiraram o trem de pouso e os estabilizadores. O “charuto” da aeronave — o corpo central — foi posto em bases para aguardar a hora do deslocamento para cargueiro russo. Trabalho que será feito com caminhões guindastes. Dois desses veículos já estão no “cemitério” do aeroporto.

Há duas semanas, em uma jornada das 8 às 16 horas, os alemães desparafusam, catalogam, etiquetam, numeram, embalam em plástico bolha e escrevem de qual lado retiraram as peças que seguirão em três contêineres.

 

Outubro alemão

No dia 13 de outubro de 1977, o Boeing 737-200 foi sequestrado por terroristas. O voo 181 Lufthansa, com itinerário Palma de Mallorca-Frankfurt, levava 86 passageiros e cinco tripulantes. Após cinco dias de agonia entre aeroportos de três continentes e a execução do piloto Jürgen Schumann, a polícia alemã invadiu o avião, matou três sequestradores, feriu um e resgatou passageiros e quatro tripulantes. Todos vivos.

 

Leia mais no O POVO:

http://bit.ly/2mTARaW (Conexão Alemanha-Ceará. Alemanha quer repatriar avião sequestrado há 40 anos)

http://bit.ly/2sLgNgw (Sequestro Lufthansa. De volta para Alemanha)

http://bit.ly/2w2Or2F (Alemanha-Fortaleza. Avião da Lufthansa será ícone contra o terrorismo)

 

DEMITRI TúLIO