PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Governo quer antecipar chegada das águas do São Francisco para janeiro

Contudo, gestores discutem como aumento do ritmo de trabalho será executado no canteiro de obras. Há indefinições também sobre gerenciamento federal do projeto após a conclusão dos trabalhos

01:30 | 14/09/2017
Para ritmo de obras ser intensificado, gestores avaliam se será necessário dobrar efetivo de trabalhadores ou adicionar terceiro turno de atividades 
MATEUS DANTAS
Para ritmo de obras ser intensificado, gestores avaliam se será necessário dobrar efetivo de trabalhadores ou adicionar terceiro turno de atividades MATEUS DANTAS

 

Previsão de chegada das águas do São Francisco no Ceará foi antecipada para janeiro. Anteriormente, o prazo seria o fim de maio do próximo ano. Para isso, o Governo Federal pretende intensificar ritmo de trabalho na construção do Eixo Norte da obra de transposição. Porém, gestores estudam a forma como a mudança no cronograma ocorrerá na prática. O Conselho Gestor do projeto se reuniu ontem pela primeira vez fora de Brasília. No encontro, em Fortaleza, foi discutida a possibilidade de dobrar efetivo de operários ou adicionar terceiro turno de atividades na implantação do trecho pendente.

 

Em entrevista concedida ao programa O POVO no Rádio na segunda-feira, 11, o ministro da Integração Nacional (MI), Helder Barbalho, havia adiantado que as obras ocorreriam 24 horas por dia a partir do próximo mês. Antônio Luitgards Moura, presidente do Comitê Gestor do Projeto São Francisco, reafirmou ontem que a União está negociando com o consórcio construtor a inserção de mais um turno de trabalho. “Estamos trabalhando em dois turnos e iria começar um terceiro, mas isso tem custos a mais”, afirmou.

De acordo com Moura, o MI espera antecipar a chegada das águas ao Ceará. A previsão da Secretaria Estadual dos Recursos Hídricos (SRH) é de que em até um mês, após cruzar a fronteira do Estado, os recursos do São Francisco cheguem ao Castanhão. “A conclusão (das obras) seria para o fim de maio, já que o contrato com a empresa é de um ano, mas estamos tentando que (as águas) cheguem no fim de janeiro. Isso não implica na obra estar concluída. Ela vai continuar até fechar as questões de segurança”, afirmou o presidente do Comitê.

A alternativa de dobrar o efetivo e manter o trabalho em dois turnos foi também apontada ontem pelo titular da SRH, Francisco Teixeira. “A intenção demonstrada pelo ministro é de dobrar o efetivo da obra. Hoje, tem cerca de mil pessoas lá. A ideia é chegar, ainda em setembro, a duas mil pessoas trabalhando em dois turnos”, disse o secretário.

 

Proposta de PPP

Há indefinições ainda sobre como será feito o gerenciamento federal da transposição. Até o ano passado, o MI pretendia que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf) assumisse a operação. Conforme o presidente do Comitê Gestor, outras possibilidades estão sendo analisadas. Uma delas propõe a criação de Parceria Público-Privada (PPP). “O orçamento da Codevasf pode ser contingenciado. Se for uma PPP, não tem isso. O dinheiro seria transferido diretamente para a empresa privada”, explicou.

Em 2005, documento assinado pela União e pelos governos dos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e Paraíba, beneficiados com a transposição, firmou que a construção do projeto seria assumida pelo Governo Federal. Aos estados caberia o custo operacional de retirada das águas.

Segundo o titular da SRH, independentemente de quem irá fazer o gerenciamento federal, o que os estados querem é a chegada da água. “O que importa é que o serviço seja prestado com qualidade e que os estados paguem um preço justo e adequado”, disse Teixeira.

IGOR CAVALCANTE