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Estoque apreendido será retirado de armazém em 15 carretas

Quantidade de bobinas de tecidos tomada de sonegadores pela Polícia Civil lota dois andares de grande galpão no Centro. Um dos empresários presos chegou a comprar apartamento de R$ 4 milhões com dinheiro vivo

01:30 | 02/09/2017


Na rua Liberato Barroso, galpão de tecidos onde estavam sediadas pelo menos quatro empresas de José Orlando Sena. Todas tiveram as atividades suspensas após a Operação Dissimulare 
JULIO CAESAR
Na rua Liberato Barroso, galpão de tecidos onde estavam sediadas pelo menos quatro empresas de José Orlando Sena. Todas tiveram as atividades suspensas após a Operação Dissimulare JULIO CAESAR

 

Deverão ser pelo menos três dias para que o pessoal da Secretaria da Fazenda (Sefaz) finalize a retirada da mercadoria apreendida ontem, durante a Operação Dissimulare, num dos armazéns no Centro de Fortaleza. O volume exato de tecidos apreendidos na sede da empresa JD Comércio de Tecidos ainda é desconhecido pelos próprios fiscais e Polícia Civil. A quantidade é tão vultosa que deverão ser usadas 15 carretas para transportar o estoque até os galpões da Sefaz.

 

O POVO teve acesso ao interior do prédio, na rua Liberato Barroso. Pertence ao empresário José Orlando Sena, um dos presos pelo esquema de sonegação do setor têxtil. Lá, segundo informações do Núcleo de Inteligência da Sefaz, estavam sediadas pelo menos quatro empresas de Sena. Orlando Tecidos e Sena Fashion estavam entre os nomes de fantasia. Pela legislação fiscal, não poderiam funcionar num estoque único sendo empresas diferentes. Ontem, todas tiveram as atividades suspensas após a operação.

O imóvel, com formato em L, funciona como um grande galpão único, mas com acessos internos entre as supostas quatro empresas. A entrada é pela Liberato Barroso, mas o espaço chega à Avenida do Imperador. Tudo cheio de tecidos, do chão ao teto. Bobinas e mais bobinas sobrepostas cobrem os dois andares do ambiente. Cerca de 20 pessoas trabalhavam no local.

No material informativo da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), distribuído aos jornalistas antes da entrevista coletiva ontem, consta a informação de “tecidos avaliados em mais de R$ 100 milhões”, mas o valor teria sido concluído por estimativa.

“Nem sabemos quando vamos terminar de contar isso, quanto tem aqui de mercadoria. Será tudo medido no peso”, disse um funcionário da Sefaz, que pediu para não ser identificado. Os rolos pesam de 12 quilos a 20 quilos, dependendo do tipo de tecido. No mercado, a média é de R$ 28 por quilo adquirido.

 

R$ 4 milhões em espécie

Alguns dos investigados na trama de sonegação do setor têxtil se davam a extravagâncias pessoais. De circular em carrões, ostentar joias, adquirir imóveis em área nobre. Vida de luxo e exibicionismo, alto padrão assumido. Isso sugeria do quanto movimentavam em cifras particulares, segundo a Polícia Civil. O mesmo empresário José Orlando Sena, preso na Dissimulare, chegou a comprar um apartamento na Aldeota, na avenida Rui Barbosa. Custou R$ 4 milhões. Detalhe importante: pagamento à vista, tudo em cédulas.

 

O imóvel foi adquirido em 2014, era onde Sena residia. No levantamento fiscal pessoal, a informação constou na declaração do Imposto de Renda da época. Foi um dos dados debulhados pelo setor de Inteligência da Secretaria da Fazenda. O empresário teria obtido desconto por causa da forma de pagamento pouco usual nestes valores.

Quando a Sefaz iniciou a investigação sobre os sonegadores do ramo têxtil, em 2015, um dos personagens à época, cujo nome não foi revelado, havia comprado uma Ferrari. Não era zero km. A investigação veio a público e o sonegador se desfez do carrão esportivo. Indicativo do quanto gostavam de exibir publicamente. (Cláudio Ribeiro e João Marcelo Sena)