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Boeing da Lufthansa será levado de Fortaleza até o dia 23

Embaixador alemão, Georg Witshel acompanhou desmonte de uma das asas do avião 737-200, que será transformado em ícone contra o terrorismo. Governo, Lufthansa e cidadãos se juntaram para custear retorno

01:30 | 14/09/2017

Até amanhã, a outra asa do Boeing da Lufthansa será removida da aeronave que foi sequestrada em 1977 por terroristas e, 40 anos depois, veio parar num cemitério de aviões no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza FOTOS FABIO LIMA
Até amanhã, a outra asa do Boeing da Lufthansa será removida da aeronave que foi sequestrada em 1977 por terroristas e, 40 anos depois, veio parar num cemitério de aviões no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza FOTOS FABIO LIMA
 

Em meio ao processo de demissão voluntária, incertezas e angústias dos funcionários da Infraero, após a privatização do Aeroporto Internacional Pinto Martins, a movimentação de um grupo de alemães atravessa a rotina do terminal aeroportuário em Fortaleza.

 

Ainda não são os alemães da Fraport, investidora que ganhou do governo brasileiro a concessão do aeroporto cearense. Pelo menos 13 engenheiros e técnicos da Lufthansa Technik se desdobravam, ontem, para remover a asa esquerda de um Boeing 737-200 readquirido, 40 anos depois, pela empresa aérea germânica.

O PT-MTB — que, por último, pertenceu à cearense TAF Linhas Aéreas — é uma das sete aeronaves abandonadas (desde 2008) em um “cemitério” de aviões no Pinto Martins. Até o próximo dia 23, o boeing será transportado de Fortaleza para o Museu Aeroespacial da cidade de Friedrichshafen.

Lá, segundo Georg Witshel, embaixador da Alemanha no Brasil, será restaurado e transformado em ícone contra o terrorismo. Em 13 de outubro de 1977, a aeronave foi sequestrada por quatro terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP).

O desmanche

Na manhã de ontem, os especialistas em montagem e desmontagem de super-máquinas voadoras levaram mais ou menos quatro horas para retirar a asa esquerda do 737. A operação, transformada em evento pela Embaixada da Alemanha no Brasil, levou ao Pinto Martins repórteres de vários estados do Brasil e jornalistas de veículos alemães.

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Em meio ao sol forte do setembro cearense, homens, uma mulher e dois caminhões guindastes sacaram a peça que seguirá em um cargueiro russo, previsto para pousar em Fortaleza no dia 21 ou 23 deste mês.

O Antonov An-225 Mriya ou o An-124 Ruslan levará o “charuto” do Boeing 737 (corpo do avião), as duas asas inteiras, três contêineres com as turbinas, outras peças e as poltronas. Até amanhã, a asa direita será removida e embalada entres colchões e plástico bolha.

Quanto custa?

O custo da operação de desmontagem e traslado do 737-200 não foi revelado pelo governo alemão, a Lufthansa e o Museu Aeroespacial de Friedrichshafen — alguns dos parceiros que se juntaram para reconstituir a memória da narrativa do sequestro que ficou conhecida como Outubro Vermelho. Segundo Georg Witshel, a embaixada não tem a informação. “Sei que no Brasil, para comprar o avião, pagamos R$ 74 mil e mais ou menos 12 mil euros com advogados e documentação. Além da Lufthansa, há outras empresas e cidadãos alemães que contribuíram porque querem essa história restaurada”, explicou o embaixador. 

 

 

A história

Entre 13 e 18 de outubro de 1977, o Boeing 737-200 foi sequestrado por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina, aliados do Baader-Meinhof.

O voo 181 Lufthansa, Palma de Mallorca-Frankfurt, levava 86 passageiros e cinco tripulantes.

Após cinco dias entre aeroportos de três continentes e a execução do piloto Jürgen Schumann, a polícia alemã invadiu o avião, matou três sequestradores, feriu um e resgatou, vivos, passageiros e quatro tripulantes.

O que O POVO já publicou sobre a história:

http://bit.ly/2mTARaW (Conexão Alemanha-Ceará. Alemanha quer repatriar avião sequestrado há 40 anos)

http://bit.ly/2sLgNgw (Sequestro Lufthansa. De volta para Alemanha)

http://bit.ly/2w2Or2F

(Alemanha-Fortaleza. Avião da Lufthansa será ícone contra o terrorismo)

http://bit.ly/2wXTCSF (Lufthansa envia engenheiros para desmontar Boeing histórico)

 

DEMITRI TúLIO