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Aviões "gigantes" que levarão Boeing alemão viram atração no aeroporto

Cargueiros russos encerram a saga do histórico Boeing 737-200 que virou sucata em um "cemitério" de aviões

01:30 | 22/09/2017
Peças do Boeing serão transportadas pelo %u201Cgigante%u201D Ilyushin IL-76, que atraiu muitos curiosos ontem, no aeroporto de Fortaleza EVILÁZIO BEZERRA
Peças do Boeing serão transportadas pelo %u201Cgigante%u201D Ilyushin IL-76, que atraiu muitos curiosos ontem, no aeroporto de Fortaleza EVILÁZIO BEZERRA

 

Antes mesmo da Lufthansa descobrir que o lendário Boeing 737-200 virava sucata em um “cemitério” de aviões no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, um grupo de aficionados por observação e fotografia de aeronaves já havia vasculhado e publicado em sites a biografia da máquina alemã — sequestrada por terroristas em outubro de 1977, na Europa.

 

Thiago Cascais, 30, é desses spotters (observadores) cearenses que vêm acompanhando a saga do 737-200 no Ceará e a operação montada para repatriar a aeronave para Alemanha. Integrante do grupo SBFZSpotting, ontem ele esteve no aeroporto Pinto Martins para registrar a chegada dos dois cargueiros russos que mexeram com a rotina dos apaixonados, a exemplo dele, pela aviação.

Durante a manhã de ontem, Cascais, repórteres, engenheiros da Lufthansa, funcionários da Infraero e trabalhadores da Salco Logistics testemunharam a aterrissagem e a abertura da parte traseira do “gigante” Ilyushin IL-76 no Pinto Martins.

O Ilyushin, de 55,4 metros de comprimento e 60,1 m de envergadura, voou para Alemanha às 22h30min carregado com os estabilizadores traseiros, as turbinas, trem de pouso e dois contêineres com outras peças do Boeing.

Segundo Adriana Feitosa, analista de logística da Salco Logistics, foi a “maior operação de carga já encarada pela empresa no Ceará. Fazemos transporte para eólicas, transformadores para linhões e outros materiais pesados. Mas estamos falando de um Boeing sendo desmontado e transportado por dois cargueiros fenomenais”, vibra.

Às 15 horas de hoje, o Antonov AN-124 Ruslan decola para levar o restante do 737-200 para o Museu Aeroespacial de Dornier, em Friedrichshafen. Em parte de seus 69,9 m m de comprimento (e 73,3 m de arqueamento) serão acomodados o “charuto” do Boeing, as asas e os lemes. Os observadores de aviões poderão vê-lo do mirante do aeroporto Pinto Martins.

Memória

Entre 13 e 18 de outubro de 1977, o Boeing 737-200 foi sequestrado por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), que exigiam dinheiro e a libertação dos líderes do grupo de extrema esquerda alemão Baader-Meinhof ou Fração do Exército Vermelho. O episódio ficou conhecido como Outono Alemão.

O voo 181 Lufthansa, com itinerário Palma de Mallorca-Frankfurt, levava 86 passageiros e cinco tripulantes. Após os cinco dias de agonia entre aeroportos de três continentes e a execução do piloto Jürgen Schumann, a polícia alemã invadiu o avião, matou três sequestradores, feriu uma terrorista e resgatou todos os passageiros e quatro tripulantes.

Quarenta anos depois, numa operação milionária com custos não divulgados pelo governo alemão, o 737-200 regressa para Europa como símbolo desse capítulo da história alemã.

DEMITRI TúLIO